Genius Loki – Elusive Songs For The Listener

Genius Loki. Fixem bem este nome. Não será tarefa difícil depois de travarem conhecimento com as cinco faixas do seu EP ‘to be’ sob o nome de Elusive Songs For The Listener. Este é um trabalho ainda sem ser um trabalho. Não se percam. É o EP ‘to be’ pois ainda não foi editado oficialmente.

Apesar de ainda não terem editora já contam com dois temas editados na colectânea recentíssima de Henrique Amaro intitulada Acorda! que é composta por 120 temas em MP3 de 60 bandas nacionais de música portuguesa. A selecção dos temas, bem como das bandas, foi feita pelo próprio Henrique Amaro em colaboração com a Cobra Discos e podem encontrar-se nomes já conhecidos do panorama musical português como: The Vicious Five, Linda Martini, Dead Combo, Green Machine entre outros.

Genius Loki provém da junção da expressão genius loci – o espírito de lugar, ou a divindade guardiã de lugar – com Loki, o deus da mentira. Mas de mentira não têm nada. Têm, sim, um mérito muito próprio e o dom de cativar aqueles que têm o privilégio e a surpresa mais que positiva de os ouvir.

A banda é composta por três elementos. Kate é a vocalista, Ed na guitarra (que também toca guitarra nos Zoshu) e Bini na bateria (também baterista dos Sizo). E apesar de serem só três enchem os ouvidos de qualquer um de motivos que nos levam a viajar por entre uma sonoridade aparentemente simplista. Têm já alguns anos de existência e participaram em alguns concursos em que conseguiram posições bastante favoráveis, chegando mesmo a ganhar a edição do Rockmusic Challenge de 2004.

As influências da banda circundam os universos de bandas multivariadas como: Zero 7, Ani DiFranco, Lamb, Fiona Apple, The Mars Volta, Radiohead e muito mais.

Este trio prima pela originalidade, pela versatilidade e pela música inspiradora e cativante. Cada faixa que se ouve é como que um convite para se ficar indeterminadamente em busca de um fim, que quando chega, transforma-se num novo convite para uma nova viagem. É, portanto, uma espiral em contínuo crescimento e envolvência.

Das faixas do EP destaca-se “A Beautiful Mess” que inicialmente se adivinha uma canção calma e que facilmente cairia no aborrecimento da repetição. Tal não acontece. Tal está mesmo longe de acontecer quando nos deparamos com as alternâncias de ritmo, com os breves solos de guitarra e com a melodiosa voz que acompanha todo o percurso.

“Hunting” é uma das melhores composições dos mesmos. É, para todos os efeitos, necessária a nota de que, apesar destas duas faixas se destacarem, não ganham muito terreno em termos de qualidade em relação às restantes. São cinco faixas diferentes, mas que se completam como se cada uma fosse uma introdução à que se lhe segue e assim em diante.

Em suma, temos uma banda já semi-conhecida no underground português e que está em plena ascensão. O seu trabalho de apresentação justificará a afirmação. Queiram render-se a uma viagem sem regresso da qual não se arrependerão.

8/10 | Maria Rocha

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~ por hiddentrack.net em 30, Outubro, 2006.

 
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