Depeche Mode – The Best Of… Volume 1

A carga subjectiva inerente ao processo de avaliação de músicas torna, toda e qualquer tentativa de constituir um conjunto de músicas “melhores”, absolutamente questionável e criticável. Se para além disso tivermos em consideração que a base a partir da qual se procurou constituir esse conjunto abarca 25 anos e 11 álbuns originais, a tarefa torna-se ainda mais complexa e árdua.

Foi a isso que os Depeche Mode se propuseram, tentando juntar num álbum as “melhores” músicas da sua carreira, numa luta desumana contra a enorme probabilidade de verem os seus objectivos caírem por terra, e as expectativas dos fãs serem defraudadas. Olhando para o alinhamento final de The Best of – Volume 1 é muito difícil concluir se a aposta da banda foi bem conseguida ou não, pois, se o álbum possui músicas que inquestionavelmente merecem fazer parte dele (“Enjoy the Silence”, “Walking in My Shoes”…), outras surgem sem se perceber bem porquê (“Just Can’t Get Enough”, “New Life” e “Master and Servant”), e outras são totalmente esquecidas sem se perceber também porquê (“Stripped” e “Freelove”).

O grande problema desta colectânea é não se perceber qual foi o critério que levou à escolha das músicas. Se se pretendesse reunir as músicas com maior qualidade, então “Just Can’t Get Enough” nunca faria parte do alinhamento. Se o objectivo era reunir as músicas que tiveram um maior sucesso comercial, então “Shake the Disease”, “Suffer Well”, “Never Let Me Down Again” e “New Life” não poderiam fazer parte desta colectânea, e não poderia estar ausente “Barrel of a Gun”. Ou então se o critério fosse a simpatia que a banda nutre pelas músicas, “Just Can’t Get Enough” não seria incluída, visto que a própria banda reconhece no DVD de “Touring the Angel” que não nutre um grande carinho por esta música, e nesse caso “Home” seria uma escolha obrigatória.

Na minha opinião o objectivo primordial era reunir o conjunto das músicas favoritas dos fãs, mas o resultado final ficou aquém disso, acumulando uns quantos «tiros no pé» que prejudicam o valor final de The Best of – Volume 1. Talvez a maior falha de todas seja a ausência de músicas de Black Celebration (1986), facto indesculpável e injustificável, pois este álbum, não sendo aquele que obteve um maior sucesso comercial, é certamente um dos favoritos dos fãs.

Mas esta colectânea tem também aspectos muito positivos. Um deles é a estética adoptada, reminiscente de “Enjoy the Silence”, o que demonstra a consciência que o grupo tem de que essa é a sua mais memorável música, remetendo para uma conjugação entre o etéreo e o carnal, incorporada na figura da rosa. O outro é certamente a decisão de incluir uma nova música e de a lançar como single. “Martyr” é um single refrescante, simultaneamente revisionista e progressista, apontando o caminho seguido pelas músicas não incluídas em Playing the Angel (2005) e que poderão fazer parte de um novo álbum.

Tendo tudo o que foi referido em consideração, não deixa de ser comovente e delirantemente melancólica a experiência de revisitar a longa e qualitativamente bem sucedida carreira dos Depeche Mode. Relembrar a ingenuidade de “See You”, o desespero de “Never Let Me Down Again”, a transcendência de “Enjoy the Silence”, a revolta de “Walking in My Shoes”, a sedução de “It´s no Good” e a solidão de “Precious”, obriga-nos a reviver a nossa própria vida e a desejar poder voltar atrás no tempo… Esperemos que o volume 2 esteja para breve, e que seja ainda melhor!

8/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 15, Novembro, 2006.

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