The Mountain Goats – Get Lonely

themountaingoats-getlonelyConfesso que nunca tinha dado muita importância aos Mountain Goats (ou ao John Darnielle, que são basicamente a mesma coisa). A culpa é minha e hoje arrependo-me disso. O que mudou a minha opinião em relação às canções de Darnielle (nem foi bem mudar, porque antes passavam-me ao lado, sabe-se lá como e porquê) foi este novo disco, Get Lonely. Mas digo-vos já para ouvirem também com muita atenção o belíssimo The Sunset Tree do ano passado, mesmo que só me tenha rendido a ele um ano depois. John Darnielle parece estar em busca da canção perfeita. De vez em quando quase que chega até lá, ou então chega mesmo e eu é que não quero estar a admitir que tal é possível.

Com guitarra acústica em punho, John Darnielle canta com uma fragilidade na voz, que carrega em si a pesada dor da solidão. John Darnielle canta tudo aquilo que gostávamos de expor mas não temos talento para tal. É o nosso diário pessoal, e aperta-nos o coração sempre que temos a consciência que todos aqueles pensamentos e sentimentos que nos assolam e pensávamos serem só nossos, estão assim à revelia de qualquer um.

Com os Mountain Goats, John Darnielle tem-se revelado um dos melhores compositores dos nossos dias, e tal não só liricamente (de onde sobressaem um sentido de humor refinadíssimo e um despojamento da sua pessoa incríveis) mas também musicalmente. As melodias que acompanham as historietas de John Darnielle buscam a perfeição melódica de beleza. Há o dedilhar simples da guitarra lo-fi de Darnielle, guitarras eléctricas que com o seu som cristalino, passeiam por terrenos solitários e narcóticos country/folk, mesmo que muito subtilmente (como em “Cobra Tattoo”), pianos, vibrafones refugiados do mundo, violoncelos, conjuntos de sopros, todos em comunhão na sua simplicidade e fragilidade. Mas ao mesmo tempo a beleza de tudo isto encanta qualquer alma mais céptica.

Get Lonely não é fácil. Não é fácil encararmos a solidão no seu estado mais puro. Não é fácil acordarmos, limparmos para casa, e encontrarmo-nos só a nós a mais ninguém. Todos os nossos actos não terem propósito algum, já que ninguém é afectado (positiva ou negativamente) por eles. Não é fácil acordarmos de manhã e, apesar de pensarmos que é melhor estarmos sem aquela pessoa que nos deixou e tanto nos fez mal, no fundo sem ela nada faz sentido.

“If You See the Light” mostra-nos o sentido de humor do músico norte-americano, onde rodeados de sopros em festa (mas não efusivamente), uma bateria a marcar o ritmo com força, pianos e teclados vintage, John Darnielle anseia pelo Inverno para se fechar em casa e meter-se debaixo da mesa, refugiando-se assim dos seus vizinhos da pequena aldeia onde vive, onde nada se consegue esconder de ninguém. “No one knows how to keep secrets ‘round here, they tell everyone everything, soon as they know, and then where is there for poor sinners to go?”

“And the wind began to blow and all the trees began to bend, and the world in its cold way started coming alive, and I stood there like a businessman waiting for a train, and I got ready for the future to arrive. And I sang…what do I do without you?” (de “Woke Up New”) – este é só um dos muitos exemplos da mestria das letras de John Darnielle, que nos encantam e nos demovem de sonhos. Obrigado pela tristeza John.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 16, Novembro, 2006.

 
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