Top 10 2006

Nunca é fácil circunscrever, encurtar, seleccionar e ordenar um sem número de discos que passam pelos nossos ouvidos. Discos de pequenos momentos e obras que nos acompanharão durante anos. Músicas aprendidas pelo rodar repetitivo dos discos luzidíos e um constante progredir e descobrir de novas experiências auditivas.

Este ano, estes foram alguns dos novos lançamentos que conseguiram destacar-se no hiddentrack.net e em cada um dos seus colaboradores.

10 .:: Mogwai – Mr. Beast

Após ouvir-se todo o álbum, compreende-se que Mr. Beast é a definição correcta para o que os escoceses Mogwai nos oferecem: música que consegue ser agressiva e violenta, mas revestida de elegância que exige um cordial respeito.

Mr. Beast é o disco que qualquer banda com mais de dez anos de duração gostaria de fazer. Um compêndio equilibrado dos vários elementos que os Mogwai utilizaram em discos anteriores, transformado em dez músicas coesas e sem grandes defeitos a apontar. No entanto, se cronologicamente é um passo sólido, Mr. Beast não nos traz nada de verdadeiramente excitante ou inovador por parte do quinteto escocês. São somente os Mogwai como já se tinham dado a conhecer. Aguarda-se que a imaginação venha com o próximo trabalho. (ver crítica) • GS

09 .:: Mastodon – Blood Mountain

O terceiro registo de longa duração dos norte-americanos Mastodon foi aguardado envolto em grande expectativa, depois do muitíssimo bem sucedido e arrebatador Leviathan (2004), onde a banda afirmou a sua genialidade, que ficara já alinhavada em Remission, editado em 2002. Blood Mountain chega-nos assim este ano, para matar a sede aos que haviam ficado a salivar por mais.

Somos brindados com mais uma daqueles rasgos de genialidade que o quarteto de Atlanta oferece: “Hunters of the sky”, “Hands of stone” e “Siberian divide”. De uma execução complexa e exímia, sobretudo a segunda, com riffs devastadores e Dailor a trocar-nos as voltas na bateria mais uma vez. São temas como estes – prodigiozinhos – que nos deixam boquiabertos e semi-perplexos perante a capacidade de criação e inovação dos Mastodon. (ver crítica) • SJ

08 .:: Kode9 & The Spaceape – Memories Of The Future

Medo. Destruição. Apocalipse. Estas são três ideias que nos assombram constantemente enquanto ouvimos Memories of the Future, a estreia de Kode9 e Spaceape.

O título do disco é perfeito. Kode9 vai desfilando pelos catorze temas que compõem o disco batidas minimalistas, sempre acompanhadas dum som grave e pungente do baixo, que viajam para um futuro desconhecido, mas que Spaceape, através do seu estilo profético de lançar as palavras para o meio dos sons futuristas de Kode9, nos quer revelar. (ver crítica) • JM

07 .:: Arctic Monkeys – Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not

Eis o primeiro álbum dos Arctic Monkeys. Depois de largos meses a gozar o sucesso de “I bet you look good on the dancefloor”, o quarteto britânico entra definitivamente em órbita com Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not (2006). Rock barulhento e canções cheias de uma energia punk são alguns dos atributos que os Arctic Monkeys se orgulham de demonstrar. Apropriam-se das guitarras e de uma secção rítmica que alterna entre o groovy e o “toca a despachar que às 8 horas tenho de estar no aeroporto”. Tudo o que os Arctic Monkeys fazem é dar-nos mais do mesmo com um toque pessoal. Mais do mesmo. Toque pessoal. Aqui o juízo terá de ser feito por cada pessoa que ouça este álbum. Ambos os elementos terão de ser pesados e comparados.

Este é um álbum muito temperamental, com alterações de humor que conseguem prender eficazmente a atenção do ouvinte. E quanto mais se ouve, mais cresce um sentimento estranho de pertença e de identificação. Porque raio é que “The view from the afternoon”, o tema de abertura, pára a meio e recomeça como se nada fosse…? Não sei. Sei, no entanto, que é impossível ficar indiferente a isso. A estranheza serve de aperitivo para a faixa que se segue: “I bet you look good on the dancefloor”. Grande, muito grande. E rápida, também. Menos pesada do que parece à partida; muito, muito dançável. Com um refrão destes, não admira que tenham meio Reino Unido atrás deles. (ver crítica) • FM

06 .:: Micah P. Hinson – Micah P. Hinson and The Opera Circuit

A crítica caiu-lhe aos pés em reverência por causa de Micah P. Hinson and The Gospel of Progress, o álbum que marcou a estreia deste norte-americano em 2004. As razões prendiam-se sobretudo com a qualidade da escrita, com a crueza desta e da música que a acompanhava e com a voz rouca e grave do cantor.

Em Micah P. Hinson and The Opera Circuit a voz de Micah continua áspera mas doce e a música, nos temas mais calmos, quase toca o registo lullaby. Os arranjos de cordas apoiam guitarra e piano com muita delicadeza. As melodias são, como nos registos anteriores, lugares-comuns de uma triste beleza ferida de morte.

Quase parece impossível que Micah P. Hinson seja um contador de histórias tão bom. Porque a idade costuma filtrar este tipo de sentimentos e porque é raro ver tão claramente as imagens que nos tentam fazer visualizar. Confirma-se o talento e espera-se que o banjo, a guitarra e o piano regressem muitas mais vezes com ambientes tão belos e tristes como aqueles a que temos tido acesso desde que o músico editou o seu álbum de estreia. (ver crítica) • FM

05 .:: Cat Power – The Greatest

Neste novo disco de Chan Marshall não somos encarados com a intimidade cortante que nos revelou nos outros dois registos. Em The Greastest Marshall já não nos coloca em frente a um espelho que, por vezes de forma cruel, nos encara com as feridas, com os “ses” que nos vão rasgando e consumindo.

The Greatest é um disco mais cheio, com pormenores que se vão descobrindo com o tempo, sem a crueza de antigamente, mas mesmo assim com grande canções, que são ornamentadas por conjuntos de cordas e sopros formosos, que dão a este disco melodias radiantes para serem consumidas diariamente como aqueles bombons que vemos por trás da vitrina e nos dão o impulso de os devorar alarvemente. (ver crítica) • JM

04 .:: Isis – In The Absence Of Truth

Dois anos passados desde a edição do enorme Panopticon (2004), os norte-americanos Isis regressam aos originais (depois da edição de alguns registos ao vivo). O novo trabalho da banda – In the Absence of Truth – deixa sem espaço para contestar a homogeneidade do colectivo e a certeza de que este será sem dúvida um dos melhores (ou o melhor?!) álbuns do ano.

In the Absence of Truth parece simples sem ser minimalista. No entanto, cresce com as audições a sensação de complexidade no modo como os Isis criaram este registo e se movimentam dentro dos pós-metal (aqui e ali a roçar mais o rock que o metal). É a ilustração de imagens que só existem junto às traseiras do nosso cérebro. (ver crítica) • SJ

03 .:: Thom Yorke – The Eraser

Esqueçam aqueles temas de Kid A (2000) e aqueles b-sides de Amnesiac (2001) e de Hail To The Thief (2003): este não é um álbum de experiências obscuras nem de vozes escondidas atrás de paredes electrónicas. The Eraser é experimental mas a voz surge sempre natural e despida de artifícios. É um álbum de electrónica de ascendência rock (com tendência para o minimalismo) – com todos os tchques e blipes a que podemos ter direito – e o pequeno número de camadas sonoras acabam por ser relegadas para segundo plano pela voz distinta de Thom Yorke.

Este é um trabalho muito distinto de qualquer uma das obras dos Radiohead. Porque é só um dos membros, porque Jonny Greenwood só dá uma ajuda e porque, admitamos, não é tão bom. Não é tão complexo nem tão entusiasmante como um álbum dos Radiohead. Falta, ao trabalho a solo de Thom Yorke, amplitude e a montanha russa musical a que a banda de Oxford nos habituou. Ainda assim, The Eraser é melhor do que muitos dos “grandes” álbuns deste ano, é certo. Mas quando se trata de um dos músicos mais brilhantes da actualidade, a fasquia acaba por ser um tanto ou quanto mais elevada. (ver crítica) • FM

02 .:: Linda Martini – Olhos de Mongol

Depois do pára-arranca que antecedeu o lançamento do trabalho, acabou por ser no mês de Novembro que os Linda Martini deram à luz o primeiro álbum – Olhos de Mongol –, depois do tão apreciado EP homónimo editado em 2005. Confirmando o que havia ficado a pairar no ar com o dito EP, Olhos de Mongol é provavelmente um dos últimos trabalhos que fica decididamente inscrito nos anais da música de 2006.

Ao longo de todo o trabalho transparecem todos os pequeninos pormenores que premeiam os Linda Martini de uma criatividade e capacidade de surpreender como poucas bandas têm. As guitarras e a bateria recriam ambientes familiares, a harmónica presente em alguns temas é a cereja em cima do bolo, e o monólogo reduzido é tão mais que suficiente para nos encher daquelas sensações particulares de quem ouve um música que de algum modo nos atinge. (ver crítica) • SJ

01 .:: Tool – 10,000 Days

Os Tool regressam em 2006 com um novo álbum intitulado 10,000 Days, nome que, muitos poderão achar, parece descrever precisamente o tempo que separa cada lançamento da banda norte-americana. A antecipação era muita e os Tool, geralmente, correspondem convenientemente.

Após algumas audições denota-se que em vez de progredirem exponencialmente nas suas composições, criando um disco que fosse um claro (e previsível) passo em frente, os Tool fizeram uma espécie de revolução nostálgica. Assim se explicam os vários momentos “déjà écouté” que vão surgindo nas diversas faixas e assim se explica a experimentação vocal de Maynard James Keenan, os novos adereços na guitarra de Adam Jones e na bateria de Danny Carey e na distinta progressão técnica de Justin Chancellor.

Apesar da sua elevada qualidade, 10,000 Days não será um álbum consensual. O mais acérrimo dos seguidores dos Tool tanto poderá adorar as novas composições e os novos elementos que contém, como poderá achá-las redundantes, repetitivas ou demasiado incaracterísticas. Mas os Tool sempre fizeram música primeiramente para eles próprios, não para quem espera por eles. É na atitude do ouvinte que 10,000 Days conseguirá encontrar o seu devido lugar. Se permitirem, como eu o fiz, esse lugar poderá ficar reservado a este álbum durante milhares de dias. (ver crítica) • GS

Os dez preferidos de cada um dos colaboradores residentes:

Gonçalo Sítima

1: Tool – 10,000 Days
2: Isis – In The Absence Of Truth
3: Mastodon – Blood Mountain
4: Thom Yorke – The Eraser
5: Linda Martini – Olhos de Mongol
6: Mogwai – Mr. Beast
7: Micah P. Hinson – And The Opera Circuit
8: Enablers – Output Negative Space
9: Final Fantasy – He Poos Clouds
10: 27 – Holding On For Brighter Days

João Moço

1: Kode9 & The Spaceape – Memories of the Future
2: TV On the Radio – Return to Cookie Mountain
3: Burial – Burial
4: Clipse – Hell Hath No Fury
5: Ghostface Killah – Fishscale
6: Liars – Drum’s Not Dead
7: Bernardo Sassetti – Unreal: Sidewalk Cartoon
8: Ali Farka Touré – Savane
9: Justin Timberlake – FutureSex/LoveSounds
10: Junior Boys – So This Is Goodbye

Maria Rocha

1: Tool – 10,000 Days
2: Ani DiFranco – Reprieve
3: Pearl Jam – Pearl Jam
4: Linda Martini – Olhos de Mongol
5: Cat Power – The Greatest
6: Eagles Of Death Metal – Death By Sexy
7: The Gathering – Home
8: Katatonia – The Great Cold Distance
9: Thom Yorke – The Eraser
10: 36 Crazyfists – Rest Inside The Flames

Pedro Correia

1: Arctic Monkeys – People Say I Am That’s What I’m Not
2: Built To Spill – You In Reverse
3: Cansei de Ser Sexy – Cansei de Ser Sexy
4: Micah P. Hinson – And The Opera Circuit
5: Cat Power – The Greatest
6: Isobel Campbel & Mark Lanegan – Ballad of The Broken Seas
7: Pearl Jam – Pearl Jam
8: The Beatles – Love
9: Guillemots – Through The Windowpane
10: The Raconteurs – Boy Soldier


Sílvia Dias

1: Tool – 10,000 Days
2: 27 – Holding On For Brighter Days
3: Linda Martini – Olhos de Mongol
4: Thom Yorke – The Eraser
5: Cat Power – The Greatest
6: Micah P. Hinson – And the Opera Circuit
7: Mogwai – Mr. Beast
8: Yo La Tengo – I Am Not Afraid Of You And I Will Beat Your Ass
9: Belle & Sebastian – The Life Pursuit
10: She Wants Revenge – She Wants Revenge


Susana Jaulino

1: Tool – 10, 000 Days
2: Isis – In The Absence Of Truth
3: Thom Yorke – The Eraser
4: Mastodon – Blood Mountain
5: Linda Martini – Olhos de Mongol
6: Mono – You Are There
7: Callisto – Noir
8: Damien Rice – 9
9: Placebo – Meds
10: The Beatles – Love

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~ por hiddentrack.net em 31, Dezembro, 2006.

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