Entrevista com Jazz Iguanas

No final do ano passado estrearam-se com um disco sem título. Movendo-se entre o experimentalismo jazz e as loucuras electrónicas, este trio formado por dois Mão Morta (Miguel Pedro e António Rafael) e ainda Pedro Cravinho viaja até à ficção-científica de Philip K. Dick. O hiddentrack.net esteve à conversa com o membro Miguel Pedro para percebermos melhor quem são estes Jazz Iguanas.

Porque é que se chamam Jazz iguanas?

Miguel Pedro: É um nome apelativo e foneticamente interessante. A referência ao jazz, enquanto linguagem musical, remete para o conceito de improviso, que está patente nos temas dos Jazz iguanas.

Como é que surgiu o projecto Jazz Iguanas?

MP: Surgiu, no início, como um projecto de investigação meu (Miguel Pedro). Ao tentar pesquisar novas metodologias de composição, utilizando a “música assistida por computador” (softwares de composição por algoritmos), deparei-me com padrões musicais desviantes e que davam a ideia, a quem os percepcionava, de que o computador estava, verdadeiramente, a improvisar (e se calhar até estava). Depois, foi só testar os padrões em ensaios, com uma formação simples: uma bateria, um contrabaixo e uma guitarra…. E o computador, claro.

Porque é que decidiram não dar nome nem às vossas músicas nem ao vosso disco de estreia?

MP: A verdade é que não encontramos nenhum bom nome para o disco…Os temas têm nome, isto é, tem símbolos que podem ser descritos em palavras. Por exemplo, o tema 4 pode ser chamado “Roldana preta com símbolo sob fundo dourado”.

Dois dos vossos membros, Miguel Pedro e António Rafael, também fazem parte dos Mão Morta. Decidiram formar este projecto para desenvolver ideias que não podiam desenvolver dentro dos Mão Morta?

MP: Não. O certo é que muitos dos conceitos que estão nos Jazz iguanas aparecem em temas de Mão Morta. E, como referi, a maior parte dos temas de Jazz iguanas surgiram num processo de investigação/composição que pretendo aplicar (e já apliquei) nas composições de Mão Morta. Além disso, as guitarras feitas pelo Rafael poderiam, muito bem, inserir-se em temas (eventuais) dos Mão Morta.

Os Jazz Iguanas são “apenas” um side-project com um disco só ou é algo para continuar no futuro?

MP: A ver vamos…

Na vossa música sente-se uma grande influência do mundo da ficção científica, por alguma coisa na vossa press-release citam Philip K. Dick. De que forma é que consideram que a ficção científica se encontra na vossa música?

MP: É verdade que a utilização de softwares de composição por algoritmos empresta aos temas uma sonoridade de ficção científica. Mas não se pode dizer que haja uma influência directa deste tipo de literatura nos temas de Jazz iguanas. Excepto, talvez, na ideia de “computador-improvisionador”, que poderá ter uma analogia com o “andróide-esquizoide” da ficção de Philip K Dick: em ambos os casos estamos perante simulacros que se comportam como a realidade que visam simular. Em Dick, o andróide-esquizoide tem todas as características do humano; nos Jazz iguanas, o computador-impovisionador tem as características de um músico.

Têm algumas obras de ficção científica (ou de outros géneros) que considerem que tenham exercido alguma influência na música que ouvimos no vosso disco de estreia? Quais?

MP: Como referi, não… Apenas ao nível dos conceitos que estão na base da formação da banda: utilizar o computador para improvisar como se de um músico se tratasse…

Ao vivo contam com a presença de um vj, Guedes Ferreira. O quão importante é que as imagens são para as vossas actuações?

MP: Julgamos que os temas de Jazz Iguanas têm uma forte componente cinematográfica. Ao vivo, o recurso a imagens torna-se uma mais-valia para o concerto. Até porque as músicas não são muito fáceis de ouvir….

Quando e onde é que poderemos ver e ouvir os Jazz Iguanas nos próximos tempos?

MP: Provavelmente a partir de Abril, em locais que onde nos convidem para actuar.

Que posição é que têm quanto à actual lei das quotas de música portuguesa nas rádios?

MP: Nenhuma.

Preocupa-vos de alguma forma esta nova “revolução” que se tem dado na música devido ao impacto da Internet (com a partilha de ficheiros ilegais, blogs, MySpace) na indústria musical?

MP: Não nos preocupa. Encaramos isso como um facto da vida e mais um desafio.

Agora um pouco fora do âmbito dos Jazz Iguanas, podem adiantar alguma novidade em relação aos Mão Morta?

MP: Os Mão Morta estão, neste momento, a ensaiar e preparar um novo espectáculo, que tem por base os Cantos de Maldoror, do Conde de Leautreamont. Trata-se de um espectáculo que tem vindo a ser preparado com a intervenção e participação de várias pessoas, ligadas à cenografia, vídeo, encenação, guarda-roupa, etc.. e que tem a sua estreia marcada para 11 e 12 de Maio, no Theatro Circo, em Braga.

João Moço
janeiro.2007

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~ por hiddentrack.net em 18, Janeiro, 2007.

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