Howe Gelb ao vivo no Santiago Alquimista

Reza a história que os elementos dos Dead Combo (Tó Trips e Pedro Gonçalves) tiveram a ideia de se juntarem para fazer música após um concerto do senhor Howe Gelb. Agora neste regresso a Portugal do músico norte-americano, foram eles os responsáveis pela primeira parte. E que grande primeira parte.


:: 30 de Janeinro de 2007

Quase uma hora depois da hora marcada, os Dead Combo lá entraram em palco e provaram porque são tão elogiados. São muito provavelmente o melhor projecto nacional que surgiu nos últimos anos. Com eles corremos desvairados pelo bairro alto como gatos pardos, somos personagens do filme western, passamos pelo “Pátio das Cantigas” e ficamos assim, maravilhados. Segundo as palavras de Tó Trips, ouvimos música de restaurante chinês, quando a dupla se lembra de tocar uma cover do tema “Like A Drug” dos Queens of the Stone Age, supostamente acabam com outra cover, desta vez de “Temptation” de Tom Waits, mas logo após a saída da dupla, Howe Gelb convida-os a tocarem com ele uma música e presenciamos um momento mágico. Foi muito bonito de se ver como a música consegue unir talentos tão grandes, numa sessão de improviso.

Por volta da meia-noite entra Howe Gelb. Não trouxe o coro Voices of Praise (com quem gravou o último disco de originais, ‘Sno Angel Like You) que o acompanharam no concerto no Lisboa Soundz o ano passado. Não faz mal, o talento deste senhor faz esquecer essa ausência.

Howe Gelb multiplicou-se entre o piano, a guitarra e a harmónica, dando-nos as suas canções agarradas às raízes da música norte-americana. Passando pelos blues, country e folk, o músico norte-americano foi desfilando canções dos seus múltiplos projectos e também da carreira a solo, atendeu quase sempre aos pedidos dos fãs (só faltou mesmo “Cracklin’ Water” dos Giant Sand, pedida várias vezes), mostrou algumas coisas novas, e parte do público mostrava-se rendido.

Foram várias vezes que ao piano Howe Gelb nos levava para clubes boémios dos anos 20/30, outras tantas contava-nos histórias com um excelente sentido do humor com uma familiaridade, que fizeram daquele concerto um partilhar de música entre velhos amigos. Um dos momentos altos da noite foi quando tocou “Desperate Kingdom of Love”, de PJ Harvey, canção que ele considerou uma das dez melhores de sempre. Fosse qual fosse o instrumento que tocasse, Howe Gelb apresentou as suas canções, onde cada verso nos arrebata, despidas, no seu estado mais bruto, sempre com uma sinceridade que só se alcança com esta idade (50 anos).

Já no encore, Howe Gelb disse o seguinte: “the music we listen is the country we live in”. Não poderia estar mais perto da verdade.

Foi pena os Voices of Praise não o terem acompanhado para cantarem as canções de ‘Sno Angel Like You, mas não é todos os dias que podemos constatar um talento destes em estado tão puro e com tanta honestidade.

Texto e fotos: João Moço

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~ por hiddentrack.net em 30, Janeiro, 2007.

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