Nine Inch Nails – Broken

Segundo registo dos Nine Inch Nails, após a digressão de Pretty Hate Machine, que deixou marcas notórias naquilo que havia de ser o segundo trabalho de originais dos NIN. Broken cresce exponencialmente face ao primeiro trabalho, com uma produção mais cuidada e com menos ênfase nos elementos electrónicos sempre presentes em Pretty Hate Machine, que fazem de Broken um trabalho menos pop e muito mais industrial.

Broken abre com “Pinion”, um minuto pouco significativo, que nos prepara para “Wish”, cujos primeiros quinze segundos são inofensivos, mas que se transforma rapidamente num monstro, por toda a agressividade contida quer em todos os elementos sonoros escolhidos, quer na própria letra, um misto de lamento enraivecido e tentativa de exorcismo de algum modo típica dos NIN.

Em Broken, encontramos todas as sequelas deixadas em Trent Reznor após a digressão de promoção do primeiro trabalho. Abandonando grande parte dos elementos pop de Pretty Hate Machine, Reznor e Mark Ellis (ou Flood, como é mais conhecido), produziram o EP a partir de uma abordagem mais próxima da guitarra eléctrica do que dos sintetizadores e teclados, não descurando, no entanto, deste elemento, sobretudo em temas como “Last” ou “Happiness in slavery” que graças ao elemento electrónico ficaram com uma sonoridade mais suja e ao mesmo tempo bem mais apelativa.

O registo inclui duas covers, a primeira de “Physical”, dos Adam & The Ants (originalmente intitulada “Physical (You’re so)”) e de “Suck”, dos Pigface, banda da qual Reznor fizera parte, deixando assim apenas seis temas originais dos NIN, que de alguma forma acaba por minimizar Broken, pela consciência com que ficamos de que o registo poderia ter roçado ainda mais a obra-prima, não fosse de facto a sua duração limitada.

Os três anos que separam Broken de Pretty Hate Machine, foram de facto fundamentais na construção da música dos NIN. Passamos do projecto mais pop que industrial, cujo álbum de estreia deixava ainda algo a desejar, para um registo assumidamente industrial, sujo, e que em comum, parece ter apenas a voz de Reznor. De facto, o que se seguiria seria sempre mais próximo de Broken do que de Pretty Hate Machine. E obviamente (parece a todos), todos os ajustes foram significativamente positivos.

Esta mudança na sonoridade dos NIN é também marcada pelas diferenças entre as ideias de Reznor e a editora dos NIN na época, bem como as pressões da mesma face ao próximo trabalho dos NIN. Este facto explica também que a produção de Broken tenha sido feita à revelia da editora, e que não era de um trabalho como este que a TVT Records estava à espera.

Em suma, Broken é mais do que simplesmente o segundo trabalho de originais dos NIN. É a plena descoberta da mudança que se começava a operar no seio da música industrial, da qual os NIN foram seguramente uma das figuras centrais. Broken é, assim, mais do que Pretty Hate Machine, o primeiro grande trabalho dos NIN, que começa a marcar a posição de Trent Reznor na música alternativa/pesada.

8/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 28, Fevereiro, 2007.

Uma resposta to “Nine Inch Nails – Broken”

  1. […] (1989) [Halo_2]: Pretty hate machine (1989) [Halo_3]: Head like a hole (1990) [Halo_4]: Sin (1990) [Halo_5]: Broken (1992) [Halo_6]: Fixed (1992) [Halo_7]: March of the pigs (1994) [Halo_8]: The downward spiral (1994) […]

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