Nine Inch Nails – Pretty Hate Machine

Uma edição independente fez com que o (convencionado) primeiro álbum do projecto de Trent Reznor, os Nine Inch Nails (NIN), passasse relativamente despercebido. De facto, foi a digressão que se seguiu nos dois anos seguintes que transformou Pretty Hate Machine num objecto de culto underground e que abalou as bases da música industrial, que passava agora a ter uma voz.

Os primeiros passos de Reznor como cérebro dos NIN, e que levaram à materialização de Pretty Hate Machine, mostram uma forte sensibilidade pop que se reflecte em temas como “Sanctified” ou “Kinda I wanto to”. Independentemente das diferenças que se encontrem entre Pretty Hate Machine e os restantes trabalhos dos NIN, este trabalho começa a traçar uma viragem na música alternativa e também a definir de algum modo o perímetro onde Reznor iria construir a sua música.

Pretty Hate Machine é um álbum electrónico, mais electro que industrial. Demasiado electrónico quando se ouve o que se seguiu na discografia dos NIN. Mas não é muito mau. Deixa antever que algo de bom poderia vir a seguir, se as arestas fossem limadas cuidadosa e convenientemente.

Não obstante este começo titubeante, Pretty Hate Machine reúne algumas das melhores músicas escritas por Reznor, casos de “Head like a hole”, “Terrible lie” e a incontornável “Something I can never have”, que facilmente sobressai do registo, pela abordagem que ainda sendo maioritariamente electrónica se distancia muito mais da aproximação claramente pop de todo o restante álbum. A voz de Reznor invade-nos numa espécie de desolação que se transforma num crescendo de angústia a par do sample fantástico que acompanha todo o tema até ao seu desfecho, e que silencia deixando-nos uma espécie de nó na garganta. Esta é sem dúvida um dos temas mais próximo do sublime de todo o trabalho dos NIN, e que estranhamente não foi escolhido para single do álbum, tendo Reznor optado por “Sin”, “Down in it” e “Head like a hole” que acabariam por gozar de algum tempo de antena.

Pretty Hate Machine, deixa, de facto, um pouco a desejar. Se existem temas muito bons, que quase vinte anos depois não nos parecem minimamente deslocados, existem outros, que, mesmo há duas décadas atrás roçavam o medíocre, casos de “Sanctified” ou “That’s what I get”, verdadeiras injecções de irritabilidade nos nossos ouvidos.

Dado tudo o que depois se seguiu, ainda bem que demos a Reznor e aos NIN o benefício da dúvida.

5/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 28, Fevereiro, 2007.

 
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