LCD Soundsystem – Sound Of Silver

Se existem génios nos tempos que correm, James Murphy é de certeza um deles. Com a estreia homónima em 2005 os LCD Soundsystem fizeram as delícias de muitos com os típicos ritmos punk/funk da DFA, injectados de house, disco e electro um pouco por todo o lado. Alguma da melhor música das últimas décadas encontrava-se ali, toda misturada em cada segundo de música, revestida sempre pelo brilhantismo de James Murphy que fundia tantas influências (que vão dos Talking Heads aos Kraftwerk, passando por um Brian Eno ou uns Gang of Four) de forma perfeita, fazendo desta a música mais actual do planeta.

O sucesso bateu-lhes à porta, tal como a Nike, para quem fizeram “45:33” (que na realidade tinha mais segundos, mas isso agora não interessa), tema distribuído no iTunes direccionado para joggers. Nesta música já poderíamos antever algumas coisas que estariam presentes no novo Sound of Silver: uma entrega ao space-disco infeccioso, o que só calha bem.

Este ano voltam com Sound of Silver e na abertura respiramos logo a space-disco. O início faz lembrar o melhor single da banda “Losing my Edge”, mas depressa voa para outros lugares. Isto é David Bowie numa pista de dança minimal, com percussões fortes e energéticas, sintetizadores que voam pelo tempo, desde o disco-sound até aos tempos de hoje.

Em “North American Scum” ouvimos um James Murphy político, debatendo-se sobre o que é ser um americano nos dias de hoje, com tudo o que isso implica. Um baixo bamboleante, uma batida em repetição constante, guitarras pós-punk e burburinhos electrónicos fazem deste tema o típico som dos LCD Soundsystem, daí ser o primeiro single.

Há desolação e tristeza devido a amizades perdidas em “All My Friends”, que conquista de imediato. Um piano às voltas de si mesmo como nas relações já perdidas, percussões nervosas, uma guitarra em feedback, tudo a lembrar algum krautrock. As Electrelane de certeza que aproveitariam bem alguns dos elementos aqui ouvidos. Mas depois o tema tem uma ambiência perfeita para as pistas de dança, tem uma bola de espelhos no meio de toda a desolação. Perfeita candidata a uma das melhores canções da banda.

Os cowbells regressam em grande em “Us vs. Them”. “The time has come today”, Murphy repete incessantemente e isto é mesmo o agora. Os sintetizadores vão-se avolumando no seu minimalismo hipnótico, as guitarras vão-se cortando nos momentos em que aparecem e depois há reminiscências do disco-sound e um tribalismo nas percussões nos minutos finais. Os Rapture que oiçam bem o que andaram a desperdiçar, porque isto é demasiado bom.

O tema que dá nome ao disco volta a atacar em força no space-disco. As vozes lembram algum disco, o baixo é demolidor, casa-o com batidas pesadas do techno, ecos fantasmagóricos, pianos, sintetizadores borbulhantes que largam electro e mais uma série de pormenores electrónicos que não acabam. E no final, os cowbells que ficam sempre bem. No fim “New York, I Love You But You’re Bringing Me Down”, ode de amor de ódio à boa maneira de um Lou Reed a Nova Iorque, metrópole que está sempre presente na música dos LCD Soundsystem.

A música é o passado, o presente e o futuro. James Murphy sabe-o melhor que ninguém. Sound of Silver é a perfeição entre estes espaços temporais.

9/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 14, Março, 2007.

Uma resposta to “LCD Soundsystem – Sound Of Silver”

  1. […] sabe-o melhor que ninguém. Sound of Silver é a perfeição entre estes espaços temporais. (ver crítica) • […]

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