Men Eater – Hellstone

Esqueçamos o facto de ter tardado mais de uma década para que surgisse um disco em Portugal como Hellstone dos Men Eater – um disco que reúne a escola clássica do stoner rock com as novas tendências do metal alternativo ou ambiental. O mesmo acontece noutros géneros, noutros quadrantes da música em Portugal. Temos uma certa tendência de primeiro ouvir e depois criar.

Nascidos dentro de uma comunidade de músicos que abarca bandas como Linda Martini, Mushin, For The Glory, Riding Panico ou If Lucy Fell, este novo projecto nacional não arranca de forma tímida ou temerosa. Hellstone tem carácter, tem vontade e tem a qualidade para se ouvir juntamente com qualquer disco dos Melvins, High On Fire, Torche ou Isis. Mas os Men Eater tiveram também o cuidado de não soar exactamente igual a nenhuma das bandas referidas, isto é, criaram a sua identidade musical via osmose. Em “Drivedead”, por exemplo, ressalta uma agressividade e uma contundência que os aproxima mais dos Converge.

“Revolver”, entra de forma compassada, arrepia e expande, prepara-nos convenientemente para “Black”. Uma faixa poderosa e que juntamente com “Windyhorse” e “You Mean The Trash To Me” são o núcleo transpirado de Hellstone, são a tríade com mais stoner no conjunto das dez músicas. Não é coincidência que seja a música homónima do disco que melhor consiga representar a essência do disco. Equilibrada na utilização de melodia e agressividade, vocalizações que permanecem no ouvido e sem se dispersar na estrutura. “Hellstone” tem tudo para ser um clássico dos Men Eater.

A meio do disco surge uma homenagem (ou será uma denúncia?) a Lisboa. Quase sete minutos que deambulam pelas ruas entardecidas, que se perdem pelas colinas e que se espalham pelas pedras da calçada. É o cheiro impregnante da cidade. André Henriques (Linda Martini) empresta a voz, a palavra e o idioma.

Por sua vez, “Redsky” aconchega-nos com guitarras acústicas e ambientes subtis, que se dissipam no ar. Uma composição instrumental feita de partes iguais de temperança e de intensidade, onde não faltam as distorções e os leads de guitarra hipnotizantes. Uma das melhores músicas do disco e que nos traz à memória outra influência moderna: Pelican.

Os Men Eater são uma banda que ressaltam no panorama nacional pela escassez de projectos dispostos a apostar neste tipo de sonoridade, mas, com Hellstone como disco de estreia, é apenas justo dizer que conseguiriam fazê-lo de igual forma no meio da mais farta das abundâncias.

7/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 27, Março, 2007.

 
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