Pole – Steingarten

Olhamos para a capa do novo disco de Pole (aka Stefan Betke), Steingarten, e vemos uma imagem do castelo de Neuschwanstein coberto de neve. A capa serve desde já como uma previsão do som que se encontra no novo disco: fria e meticulosa, com pormenores escondidos por baixo de camadas de gelo aparentemente transparentes.

O músico é conhecido por desconstruir a música dub em várias camadas para utilizar de forma fragmentada na sua electrónica mais ligada ao IDM. Ao sexto disco de originais o dub continua presente, mas aliado a este Pole vai recuperar algum hip hop, mas não o hip hop que habitualmente estamos habituados a ouvir. O que Pole faz é utilizar algumas das fórmulas do hip hop em ambientes onde electrónica abstracta, mas ao mesmo tempo minimal, tem primazia.

Pole funde pormenores mais ligados ao IDM com ambiências mais ligadas ao dub, com linhas de baixo sempre pesadas, e depois loops que podem ir de bater de palmas, a uma harmónica ou chuvas torrenciais. Mas a envolver a sua música está uma camada atmosférica, que prende a nossa atenção e que nos envolve, apesar de toda a estranheza que está inerente à música.

“Warum” abre o disco, onde se ouve sempre um beat que não ficaria mal numa música techno minimal, há uma guitarra que vai lançando acordes mínimos, sendo que por vezes o seu som é manipulado, ouvem-se palmas, e barulhinhos em feedback ou algo parecido. Tudo está aliado quase que arquitecturalmente. Já em “Winkelstreben” a batida que serve de base ao tema é seca e pesada, como se a pudéssemos ouvir numa música grime. Mas depois vem uma guitarra em distorção, sinos, uma sirene esmagada em constante repetição que também podem ser vozes manipuladas, e sempre uma toada atmosférica a envolver.

Em todas as faixas Pole vai variando no tipo de sons que se ouve. Há milhentos pormenores electrónicos que causam estranheza pela sua peculiaridade, sendo estes colocados em loop com sons mais orgânicos cortados em pequenas partes para depois colidirem uns com os outros. Assim Pole fez de Steingarten um dos discos do panorama electrónico a ouvir com atenção em 2007.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 5, Abril, 2007.

 
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