The Flaming Lips – At War With The Mystics

flaminglips-atwarwiththemysticsOs Flaming Lips queriam marcar uma posição. Depois de The Soft Bulletin (1999) e Yoshimi Battles the Pink Robots (2002), dois álbuns muito bem acolhidos pela generalidade do público, o trio decidiu voltar à esquisitice. Mas, mais do que um regresso a tentativas antigas, At War With The Mystics (2006) apresenta-se como uma tomada de posição relativa aos campos político e social.

Os dois primeiros temas espelham isso mesmo. O single e tema de abertura “The Yeah Yeah Yeah Song” vai perguntando e respondendo a perguntas como “se pudesses fazer com que todos fossem pobres só para que tu fosses rico, fá-lo-ias?”. “Free Radicals”, tal como o tema anteriormente referido, reitera aquilo que o vocalista Wayne Coyne – que canta este tema como se fosse um Prince menos empertigado – tinha explicado há alguns meses relativamente aos conteúdos do álbum: “Algumas destas canções, embora pareçam que estão a falar sobre acontecimentos actuais, esperamos, como todas as boas canções, duram para sempre, porque falam sobre o que acontece dentro de ti”.

At War With The Mystics é fortemente influenciado pelas circunstâncias políticas actuais mas, ao mesmo tempo, é fruto de uma reflexão mais ou menos profunda sobre o papel de cada um nas circunstâncias. Aparenta ser conjuntural mas é estrutural. Como tantas outras coisas.

Mas também há aqui música. Os riffs pesados anunciados pela banda vêm disfarçados e envoltos em distorções típicas de géneros mais electrónicos. De resto, há aqui muito psicadelismo, um recorrente ambiente espacial bem condimentado de bolinhas sonoras em temas como “My Cosmic Autumn Rebellion” e “Haven’t Got A Clue”.

At War With The Mystics custa um pouco a entrar no ouvido. É heterogéneo e multifacetado. Tanto aposta tudo numa melodia, como em “Vein of Stars”, como a seguir se lembra de como é bom produzir e meter sons em tudo quanto é buraco e mudar vozes (“Haven’t Got a Clue”).

A segunda música em que a banda emprega o termo fanatical é “The W.A.N.D.”, uma das partes mais catchy do álbum. Não há muitas mais, de qualquer forma. Mais guitarras distorcidas e algum groove fazem com que este tema possa ser descrito como a peça rock do álbum. Também não há muitas mais.

E “Pompeii Am Götterdämmerung” é a música que consegue, com os seus órgãos hipnóticos e vozes distantes, estabelecer uma pequena comparação ao rock progressivo de Pink Floyd e companhia. A ouvir com muita atenção.

At War With The Mystics parece, apesar de tudo, um pouco exagerado no campo da produção. O excesso de brincadeiras aqui e ali não deixa o álbum respirar convenientemente. Com tantas camadas, é preciso algum tempo para se conseguir apreciar propriamente a música. Mas se se tiver tempo, At War With The Mystics é claramente um bom investimento.

8/10 | Filipe Marques

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 18, Abril, 2007.

 
%d bloggers like this: