Cult Of Luna ao vivo no Ginásio Clube de Corroios

Um pavilhão quase vazio. Um público reduzido para o concerto que se esperava. Os Cult Of Luna gozam de uma popularidade já relativamente generalizada dentro do público que se vai rendendo às sonoridades dos pós-metal, mas não conseguiram arrastar mais de cerca de 200 pessoas à sala na margem sul.

:: 22 de Abril de 2007

Como vem sendo já um hábito generalizado em Portugal, é raríssimo assistirmos a eventos que cumprem os horários anunciados. O concerto dos portugueses Men Eater e dos suecos Cult Of Luna não se revelou nenhuma excepção. Anunciado previamente (quer nos bilhetes, como na divulgação geral) para as 19 horas, o concerto começou com cerca de duas horas e meia de atraso. Muito tempo, sobretudo para quem, como eu, contaria com os transportes públicos para regressar a casa. Depois de alguma impaciência e demasiados cigarros, chegaram por fim os primeiros sinais de que os Men Eater iriam começar a tocar.

Os Men Eater são uma banda deveras interessante, que brindou o público com um concerto pleno de energia e descargas de sludge e stoner rock que pareciam encher o olho aos presentes. A banda apresentou o trabalho Hellstone – de resto um dos trabalhos mais surpreendentes do panorama português no primeiro semestre de 2007 – e o público respondeu bem. Pareceu até que a grande maioria dos presentes estava já familiarizada com o trabalho da banda.

Da actuação dos Men Eater em Corroios, ficaram inscritas na nossa memória “Revolver”, “Hellstone” ou “Black”. No entanto, o tema que indiscutivelmente prendeu mais e melhor a atenção das cerca de duas centenas de pessoas no Ginásio Clube foi “Lisboa”. A estranheza da língua mãe desliza sempre de uma forma peculiar. O guitarrista e vocalista Miguel fez as vezes de André Henriques (Linda Martini), e sem dever nada ao último na prestação vocal, deixou nos presentes a sensação de como cada vez mais nos sabe bem ouvir música recheada de palavras em tom agridoce na nossa língua.

Finda a actuação dos Men Eater, desmonta-se o palco em jeito pit stop, porque se faz tarde, porque há laivos de impaciência nas expressões do público e porque a actuação dos Men Eater, ainda que muito boa, não fez esquecer as duas horas e meia de atraso. Depois de alguns retoques de última hora nos instrumentos, feitos pela própria banda, tudo parece devidamente a postos.

Depois de uma passagem surpreendente pela fantástica Casa da Música, no Porto, em 2005, os Cult Of Luna regressavam a Portugal com o último álbum – Somewhere Along The Highway (2006) – que embora não fosse avassalador com o anterior Salvation (2004), nos mostrava uma parte mais cuidada e menos suja (com tudo o que sujo tem de bom) dos Cult Of Luna. O concerto do Ginásio Clube, bem como o da noite anterior no Convento de S. Francisco em Coimbra haviam sido aguardados com expectativa. Expectativa essa que se deveu provavelmente ao facto do concerto da Casa da Música ter sido impossível para alguns ou ter passado despercebido para outros.

“Waiting for you” foi o primeiro tema interpretado pela banda sueca perante uma assistência próxima do deslumbre. De imediato se fez notar a ausência do vocalista Klas Rydberg, tendo sido o guitarrista Johannes Persson a dar a voz e a segurar o barco que levou os Cult Of Luna a bom porto durante os cerca de setenta minutos que se seguiram. Fruto provavelmente dos ajustes que a banda teve que fazer devido às ausências do vocalista e de Thomas Hedlund (bateria/percussão), os Cult Of Luna apostaram num alinhamento não só baseado exclusivamente nos dois últimos trabalhos, como fizeram múltiplos arranjos na quase totalidade dos temas tornando-se difícil reconhecê-los de imediato.

A primeira passagem por Somewhere Along The Highway fez-se com “Finland”, primeira prova também que a ausência do vocalista não seria incontornável, ou transformaria o concerto dos Cult Of Luna numa actuação pobre. De facto, a ausência de Klas Rydberg proporcionou uma mobilidade alargada à banda especialmente a Johannes Persson e ao baixista Andreas Johansson, cuja presença em palco é indiscutivelmente a mais forte.

Variando entre os dois últimos trabalhos, os Cult Of Luna foram mostrando a sua música de um modo particular, quase introspectivo. “Adrift” e “Dim” também fizeram parte do alinhamento, mas foram “Echoes” e “Dark city, dead man” que se destacaram, a última com uma força colossal. Foi o melhor tema da noite, onde o colectivo debitou todas as notas de um modo irrepreensível e único.

O concerto do colectivo sueco não foi surpreendente ou inovador. Presenciou-se uma actuação sólida, construída tendo em conta as ausências na banda, que parecendo contratempos acabaram por se transformar em benefícios. Ainda que não ultrapassando o soberbo concerto da Casa da Música, foi um regresso aguardado pelo público, cujas expectativas, de uma maneira geral, os Cult Of Luna não decepcionaram.

Texto e fotos: Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 22, Abril, 2007.

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