The Field – From Here We Go To Sublime

thefield-fromherewegotosublimeSerá que o techno pode ser música ambiente? Ao ouvir From Here We Go To Sublime a resposta é positiva.

Nos últimos anos o techno sofreu uma espantosa regeneração, graças a nomes como de Ellen Allien, Matthew Dear, Ricardo Villalobos, Apparat ou Gui Boratto, que reduzindo-o por vezes a um minimalismo quase absurdo (como Villalobos fez no espantoso single “Fizheuer Zieheuer”) nos conquistaram. É espantoso o que estes nomes têm conseguido fazer com o techno, desfigurando-o e minimizando-o até mais não, encontrando sempre um caminho para nos surpreender. The Field, o nome com que Alex Wilnner se mostra ao mundo, é mais um nome a acrescentar à lista.

Estreando-se este ano com From Here We Go To Sublime, pela Kompakt, Alex Wilnner torna o techno em música ambiente. Ou em algo que se aproxima bastante dessa definição. Ao longo das dez faixas que compõem o disco, a música que se ouve transmite-nos uma dualidade de sensações: por um lado atinge os músculos com eficácia e obriga-os a moverem-se numa pista de dança, no tapete da sala, tanto faz; mas por outro lado empurra-nos para cima do sofá, não querendo quaisquer movimentos físicos, apenas propiciando viagens mentais e uma sensação de plenitude imensa.

Ao esqueleto base do techno minimal presente em From Here We Go To Sublime, Alex Wilnner introduz novos pormenores sonoros, beats e samples melodiosos, às vezes adquirindo uma toada mais etérea, sendo estes fragmentos depois repetidos incessantemente, contrapondo-os com as batidas mais fortes do techno minimal, desempenhando sempre tal tarefa muito subtilmente, como se não quisesse que o ouvinte se apercebesse.

“Over the Ice” não podia abrir melhor este disco. Esta baseia-se numa batida gélida que é arranhada por sintetizadores, e acima de tudo isto estão samples mínimos e flutuantes de uma voz que nos dá uma certa calma, mas que aliada ao clima cósmico do tema nos faz viajar para outras galáxias. “A Paw in My Face” é outra das maravilhas do disco, com um sample de guitarra aprisionada até aos segundos finais, quando consegue finalmente soltar-se. Há por ali sonoridades etéreas que vão nascendo tal como uma manhã de Primavera, ouve-se um beat nervoso a cortar a papel. E tudo isto soa maravilhoso.

“The Little Heart Beats So Fast” faz-nos dançar compulsivamente ao som daquela linha de baixo frenética e hipnotizante, quase agressiva numa espécie de batalha que trava consigo mesma. Em “Everyday” os beats irradiam luz, vão iluminando em crescendo o caminho, enquanto assistimos às batidas a estatelarem-se e reconstruírem-se depressa. Já em “Sun and Ice” o músico sueco congela o sol durante pouco mais de seis minutos, tudo aqui quer brilhar, mas o gelo que tudo circunda não deixa que tal aconteça.

Alex Wilnner sob o nome The Field deu-nos um dos discos mais estonteantes e surpreendentes do ano. From Here We Go To Sublime dá largos passos no techno, revoluciona-o calma e simplesmente, mas como nunca esperávamos ouvir.

9/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 6, Maio, 2007.

 
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