Björk

À primeira vista Björk parece ser uma pessoa desequilibrada, que faz umas músicas esquisitas, canta de uma maneira histérica e aparece em eventos públicos vestida de animal. Mas as aparências impedem muitos de ver aquilo que é óbvio: Björk é um génio! E como génio não se contenta em seguir o instituído, em respeitar o normal, procurando antes afirmar a sua individualidade, um síndroma comum entre insulares que, ao se sentirem aprisionados pelo mar, desenvolvem um universo interior que lhes permite viver aquilo que não está ao seu alcance.

Nascida na Islândia em 1965, Björk transporta em si a frieza e a dureza frágil do gelo. A liberdade, a inquietude adquiriu-a na comunidade hippie em que cresceu. Desde pequena que se interessou pela música, tendo estudado solfejo, flauta e piano. O talento precoce valeu-lhe um convite para gravar o seu primeiro álbum, quando ainda era uma jovem adolescente, no qual se podiam ouvir alguns covers, músicas tradicionais islandesas e algumas músicas escritas por ela.

Depois do álbum homónimo integrou uma banda de raparigas, as Spit and Snot, a qual não realizou nenhum lançamento oficial. Em seguida fez parte dos Exodus, uma banda de influências Pop e New Wave. A primeira experiência mais bem sucedida foi com os Tappi Tikarass que chegaram a editar dois álbuns, banda que deixaria para constituir os Kukl que, após a edição de dois álbuns de originais, adoptaram o nome The Sugarcubes. O primeiro álbum dos The Sugarcubes surge em 1988 com o nome Life’s Too Good, uma mistura entre Pop, Rock, Funk e Jazz, conseguindo algum sucesso, o que já não se pode dizer acerca do seu sucessor,Here Today, Tomorrow, Next Week!, datado de 1989. Em 1990 Björk decide aventurar-se fora dos The Sugarcubes com Gling-Glo, um álbum de músicas tradicionais islandesas e algumas versões. Mas volta rapidamente à banda para preparar aquele que viria a ser o último álbum de originais, Stick Around for Joy, em 1992.

Findada a experiência com os The Sugarcubes, Björk aposta numa carreira a solo e, através de um amigo comum, conta com a colaboração de Nellee Hooper, que trabalhara com os Massive Attack, na elaboração do seu primeiro álbum, com o nome Debut (1993), que lhe granjearia uma popularidade significativa, reforçada por Post em 1995. Mas nesta fase Björk ainda está muito no universo Pop, só se começando a aventurar em 1997, ano em que cria o inovador e desconcertante Homogenic. A partir deste álbum nada seria o mesmo e Björk fugiria cada vez mais ao rótulo comercial, assumindo-se como uma artista de vanguarda. A colaboração em 2000 no filme “Dancer in the Dark” de Lars Von Trier valer-lhe-ia o reconhecimento do seu talento como actriz no Festival de Cannes e uma fabulosa banda-sonora, intitulada Selma Songs.

A sua obra-prima fá-la-ia em 2001 com Vespertine, um álbum intimista que teve um sucesso desmerecidamente tímido. O conceito de música alternativa foi levado mais além em 2004 com Medúlla, um álbum predominantemente feito com recurso à voz, e em 2005 com a pretensiosa banda-sonora de “Drawing Restraint 9”. E após o mergulho em caminhos musicais de mais difícil digestão, eis que Björk decide voltar aos tempos de Debut e Post e fazer um álbum não tão sério, não tão artístico, mas mais divertido. Dessa vontade surge Volta (2007).

João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 9, Maio, 2007.

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