Logh ao vivo em Madrid

A “barriga” do clube Moby Dick em Madrid esteve longe de estar cheia para receber os suecos Logh. Não obstante, os sete músicos apresentaram em palco a sua música de uma forma intensa onde North, o seu último disco, teve um especial destaque. A actuação foi repleta de momentos melancólicos, dezenas de pormenores sonoros e duas baterias com uma impressionante sincronia.

:: 9 de Maio de 2007


A temperatura amena da noite convidava a sair-se de casa, mesmo a meio da jornada de trabalho ou estudo. Na agenda, o concerto dos suecos Logh foi o pretexto perfeito para entrar mais uma vez na vaga de música nocturna que inunda a capital espanhola. Apesar da fraca afluência de público nos primeiros instantes do concerto, iniciado pelos espanhóis Murmur, o clube Moby Dick estava bem composto, com mais de cinquenta pessoas, quando os Logh entraram em palco.

De roupa negra, justa e até algo desleixada, os sete membros dos Logh entram em palco e posicionam-se como podem junto dos seus instrumentos. O palco do Moby Dick parece minúsculo com tanta gente, com tantos instrumentos. As guitarras eléctricas, acústicas, teclados, sintetizadores, duas baterias, baixos e outros pequenos instrumentos espalhados e guardados compunham o cenário onde os Logh iriam interpretar a sua música.

O alinhamento das músicas fez com que o concerto assumisse uma dupla dimensão. Na primeira metade a voz de Mattias Friber foi a condutora principal, dando corpo a grande parte do último disco da banda, North (2007). De ritmo lento, as músicas alternavam entre a preponderância das teclas de Karl Arvidson, como “Death To My Hometown” e “Saturday Nightmares”, e as guitarras acústicas mais intimistas presentes em “Weather Island” e “The Black Box”. A segunda metade, de início assinalado pela fortíssima “The Contractor And The Assassin”, conteve uma maior energia e exuberância rock – e nada cria maior intensidade que duas baterias sincronizadas – debruçando-se sobre a restante discografia dos Logh.

A surpresa da noite teve o nome de “An Alliance Of Worlds”, um tema presente apenas no single de “An Alliance Of Hearts”, também interpretada, e que revelou uns Logh explosivos e vigorosamente ruidosos. Este foi, possivelmente, o melhor truque dos suecos, ao conseguirem apresentar um concerto que espelhou a natureza multifacetada da banda e o seu actual estado de maturação. Talvez a presença de North no início do concerto tenha sido excessiva, tendo criado algum adormecimento entre o público, mas tal já não se verificou no deleite que se viu e ouviu “Thieves In The Palace”. Canção épica, mexida, e com um final impressionante onde todos os instrumentos confluíram sob uma melodia hipnotizante e as baterias explodiram em simultâneo.

O encore foi conduzido pela mão de “In Cold Blood” e “The Smoke Will Lead You Home”, esta última a única representante do álbum A Sunset Panorama (2005). Uma despedida calma, sem grandes artifícios, que comprovou a descontraída atitude que os Logh têm em palco e face ao seu reportório. Cada canção vale por si mesma e cabe ao ouvinte encontrar-se dentro dela e não deixar-se simplesmente levar por um volume mais ou menos elevado de decibéis.

Um concerto dos Logh prima pelos seus pormenores sonoros. Os sete músicos em palco, alternando de postos e revelando a cada música que surgia novos segredos, fizeram com que a atenção se mantivesse constante. Foi impossível identificar todos os elementos utilizados para colorir as canções, mas cada chocalhar de maracas, cada tilintar e revibrar de metais e cada acorde conseguiu produzir um ambiente singular e memorável. E claro, duas baterias em músicas indie… incrível.

Quanto aos espanhóis Murmur, com o seu pop indie pouco impressionante, foram uns indignos substitutos do cantautor Christian Kjellvander. As canções dispersavam-se com facilidade e pouco se distinguiam à medida que o concerto avançava. Acredito que adeptos de uns Death Cab For Cutie possam ter encontrado algum prazer na música dos Murmur, mas eu não sou um deles.

Texto e fotos: Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 9, Maio, 2007.

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