Rufus Wainwright – Release The Stars

Hoje, nove anos depois da sua estreia com um disco homónimo, é inegável considerar Rufus Wainwright um dos melhores e mais talentosos compositores de canções dos nossos tempos. Pegando muito ao de leve nos ensinamentos pop/folk do seu pai, Loudon Wainwright III, Rufus Wainwright foi de disco para disco aperfeiçoando uma estética pop muito pessoal, arriscando por vezes novos caminhos, por vezes exagerando-os, mas levando sempre a sua avante.

O seu segundo disco, Poses, atingiu a perfeição entre os dois mundos em que Rufus Wainwright se movimenta: as canções pop de autor e a componente operática e teatral. Nos dois discos seguintes, Want One e Want Two, exagerou nos arranjos barrocos e pesados que imprimiu às canções, mas nunca se deixou afogar na sua própria loucura, apesar de ter estado próximo de tal. Este ano regressa com Release the Stars e sente-se que há aqui uma tentativa de atingir o mesmo feito que em Poses. Não chega à genialidade deste, mas eleva-se já à categoria de um dos melhores discos do canadiano.

A voz de Rufus continua a encantar-nos. Uma voz que atinge e supera os seus próprios limites, seja qual for o registo em que esteja enquadrada. Desde à voz de anjo tímido, fechado em si mesmo, até à estrela de palco da Broadway com sinfonias pesadas a envolverem-na, a voz de Rufus Wainwright encaixa-se sempre com perfeição e preciosismo no registo que o músico cria, o que é de louvar imenso.

Como já foi dito anteriormente, Release the Stars, o quinto disco de originais do músico, produzido por Neil Tennant dos Pet Shop Boys, não descura de todo das orquestrações complexas e teatrais que já se lhe conheciam anteriormente, mas apura estes arranjos sonoros habilmente, havendo uma maior riqueza de sons, sem exageros instrumentais, e uma maior sabedoria em como todos esses sons podem casar com as suas canções pop. Rufus maneja habilmente e com grande requinte essas orquestrações, como podemos ouvir na faixa de abertura “Do I Disaopoint You”, com um tom de ópera trágica que comove. No single “Going To A Town” mostra uma vez mais quais são as suas posições políticas em relação aos EUA (repetindo imensas vezes “I’m so tired of you, America”). E é assim que ele diz que vai vender muitos discos. Sinceramente não parece muito provável, mas o que é que isso importa realmente?

“Between My Legs” é um dos momentos mais deliciosamente catchy do disco, com um toque rock da guitarra de Richard Thompson, e uma melodia que se cola na mente e um final pomposo onde entram discursos (da actriz Sîan Phillips), coros e sopros exuberantes. O disco fecha com a faixa que dá nome ao disco e para a ter composto Rufus deve ter frequentado muitos cabarets.

Release the Stars é um disco para os fãs de Rufus Wainwright, que já sabem do que vêm à procura e este entrega-lhes de bandeja e com requinte o que eles já queriam: grandes canções pop ora mais grandiloquentes, ora mais recatadas (como são exemplos “Not Ready for Love” ou “Leaving for Paris no. 2”), sempre dominadas por aquela voz arrebatadora que já lhe conhecemos e uma sensibilidade lírica rara.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 29, Maio, 2007.

 
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