Larkin – Every Living Day Begs The Question

Estiveram correctos os Refused ao anunciarem em 1998 que aquela seria a forma do punk futuro? Os portugueses Larkin fazem-nos crer que sim. O álbum de estreia da banda portuguesa é um choque energético post-hardcore violento capaz de fazer soltar o estuque da parede, enquanto esta subsistir. O quarteto de Viana do Castelo formado por Joca, Ricardo , Ivo Cunha e Hugo Martins é mais um exemplo do fértil solo nacional actual que continua a fazer rebentar bandas agressivas e inventivas. Every Living Day Begs The Question é um disco que mantém um questionamento constante, alimentad por cada molécula de oxigénio presente no corpo dos seus intérpretes, ao longo de 11 faixas directas e intensas.

A linearidade presente nas músicas dos Larkin tem o eficaz efeito de definir a inclinação musical da banda e de conseguir evitar a monotonia. A forma como as músicas rugem e disparam em ferocidade, colocam a banda frente a frente, em confronto directo, com o mais destemido dos ouvintes. No seu conjunto, as músicas de Every Day Begs The Question são de curta duração com um sentimento homogéneo no seu interior. Porém, esta não é uma fórmula que os Larkin abusem e “A Creative Context” assume-se como prova disso mesmo, funcionando como um arranque de diferentes dinâmicas e níveis de intensidade. O álbum irrompe da melhor maneira. Tanto “Signs Of Liberation” como “Break The Old, Built The New” demonstram até onde os Larkin conseguem levar a sua agressiva natureza e, em curtos minutos, são puras descargas de energia concentrada.

Os momentos mais interessantes do disco ficam reservados para as composições onde as influências do punk rock e do post-hardcore, e de tudo o resto que tenha influenciado a banda (e não parece ter sido pouco), colidem de forma espontânea. Conseguindo transparecer uma elevada emotividade distorcida em “Motive” e um vigoroso nervosismo em “Inject Some Blood” e “The End”, os Larkin levam-nos até uma sonoridade mais robusta mas que encontra razies nuns At The Drive-In. Já “Culture Seeks Acceptance”, no desfecho do disco, consegue ser uma das melhores composições do quarteto português, fazendo um interessante contraponto entre a acelerada corrente das guitarras e da voz de Joca, e um baixo mais melódico e proeminente. Sem perderem tempo com demasiados artifícios, o crescendo que sentimos a meio da canção, de apenas alguns segundos, demonstra a capacidade da banda de se manter coesa e indelével.

A produção do disco esteve a cargo de Makoto Yagyu (If Lucy Fell e Riding Pânico) cujo trabalho se estende ainda às bandas a que pertence e a importantes nomes nacionais como Linda Martini ou Men Eater. O resultado é um som poderoso e cru, com cada elemento dos Larkin a fazer-se sentir na proporção certa. Na junção dos dois factores, produção e criação, os Larkin têm em Every Living Day Begs The Question uma estreia notável e prometedora. Resta-lhes agora continuar a percorrer a estrada, levando o disco o mais longe possível, e assaltar em cada paragem os sentidos do público com agressivo vigor e destreza.

7/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 30, Maio, 2007.

 
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