Andrew Bird ao vivo no S. Jorge

O Cinema S. Jorge recebeu Andrew Bird de braços abertos, esgotando a sala lisboeta, fazendo prever que poderá estar para breve um regresso do músico a palcos nacionais.

:: 31 de Maio de 2007

Com Armchair Apocrypha na bagagem para ser apresentado, Andrew Bird apresentou-se em Lisboa com mais dois músicos, ao contrário do que tinha acontecido na sua primeira aparição em Portugal, no Lux, onde se apresentou sozinho. Na bateria, teclado e programações esteve Martin Dosh (que se encarregou da introdução do espectáculo) e a além deste músico esteve outro guitarrista a acompanhar o norte-americano. Foi bem perceptível o novo rumo que a música de Andrew Bird está a seguir e que já se sentia no seu último disco, uma vez que já não está tão agarrado ao violino, tendo a guitarra cada vez mais espaço para se fazer ouvir.

No entanto é ao violino que o músico nos proporciona os melhores momentos, mostrando como é especialista em tocá-lo e como está bem mais à vontade com este instrumento. Ao vivo notou-se bem que a sua relação com o violino já é de há muito e tal sentiu-se no concerto de ontem à noite, pois este não se limitava a tocá-lo com o arco, dedilhando-o ou tocando-o quase como se fosse uma guitarra. Em palco Andrew Bird não é pessoa de muitas palavras, notando-se alguma timidez, mas também mostrou o seu lado mais brincalhão (quando mostrou os macacos que um fã lhe deu em Detroit, pronunciando a palavra em português). Cada segundo de música foi vivido intensamente pelo músico, algo que se notou bem nas suas interpretações e na sua forma de estar em palco, dançando várias vezes completamente descoordenado.

Durante as quase duas horas de espectáculo, Andrew Bird servia-se do violino e da guitarra para ir construindo e dando novas roupagens às canções, samplando sons ora de um ora de outro instrumento, construindo e remexendo nas suas belas melodias pop/folk. Para tal precisou de se descalçar logo no início do concerto, pois enquanto tocava os pés também trabalhavam, o que pontualmente dava um ou outro erro, mas insignificante. Ao vivo o músico aproveita para modificar as suas canções, com melhores resultados nalgumas do que noutras, mas nunca se saindo mal nessas experiências sonoras.

“Heretics”, o primeiro single extraído de Armchair Apocrypha, foi um dos momentos mais aplaudidos pelo público que esgotava o S. Jorge, a par de “A Nervous Tic Motion of the Head to the Left”, uma das suas melhores canções, do registo anterior, The Mysterious Production of Eggs. Deste disco também foram tocadas algumas músicas como “Measuring Cups”, “Masterfade” ou “Skin Is, My”, todas sofrendo várias alterações, mas que tiveram um saldo positivo.

Do novo disco pudemos ouvir uma das grandes canções do ano, “Plasticities” (onde se notou o som da bateria demasiado agressivo para a canção que é), mas também “Imitosis” (que abriu o espectáculo), “Armchair” (que proporcionou um dos momentos mais intimistas e tocantes do concerto) ou “Simple X” (que foi co-composta com o baterista Mark Dosh), entre tantas outras. Depois de uma ovação de pé por parte do público que encheu o S. Jorge, houve direito a um encore, onde tocou “Weather Systems”, umas das suas músicas mais antigas, que acabou por ditar o final do concerto, apesar da insistência dos fãs para mais um regresso.

O público desde cedo que ficou logo conquistado, e ainda bem que gostaram, mas é de referir que palmas a mais por vezes estragam o ambiente dos concertos. Felizmente Andrew Bird tem canções boas demais para não deixar tal acontecer.

texto: João Moço
fotos: Bruno Espadana

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~ por hiddentrack.net em 31, Maio, 2007.

 
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