Alive! 07

Último dia do festival Oeiras Alive!. Este dia foi dedicado sobretudo ao hip-hop, tendo como cabeças de cartaz os norte-americanos Beastie Boys e os portugueses Da Weasel. No palco secundário as tendências foram um pouco diferentes, tendo incidido mais no rock ‘n’ roll que se faz em Portugal com os The Vicious Five e os Wraygunn e com os suecos The (International) Noise Conspiracy num concerto quase privado e repleto de energia. Um dia que podia ter sido melhor, sem dúvida, e que fechou o festival com uma apreciação positiva, mas também um pouco indiferente.

:: 10 de Junho de 2007

The Vicious Five

Confesso que após a actuação da banda em 2006 no Festival Super Bock Super Rock, fiquei com imensas reservas em relação a dar uma possível segunda oportunidade aos The Vicious Five. Decorrido cerca de um ano após esse concerto, que considerei perto do intragável, dei a dita oportunidade à banda lisboeta. E que bem que eles se saíram. A música dos The Vicious Five não é especialmente inovadora ou diferente, mas é divertida. E eles são divertidos e bem dispostos, com destaque para o vocalista Joaquim Albergaria. Sem álbuns para apresentar, os The Vicious Five tocaram algumas músicas novas, mas o concerto caiu sobre o disco de estreia da banda Up On Walls (2005).

Assim, o colectivo lisboeta desfilou temas energéticos que pediam pelos menos agitação, se não algo mais que isso, talvez um daqueles pequenos motins que caracterizam os concertos menos povoados. “Suicide Club” foi um dos temas mais apreciados pelo público, que de resto, estava bem familiarizado com o trabalho dos The Vicious Five.

Pelo meio ficaram os incentivos ao público que surtiram o efeito desejado, bem como uma comparação hilariante do próprio Albergaria entre o seu look e o de Matisyahu que actuava àquela hora no palco principal. O concerto dos The Vicious Five foi uma boa maneira de entrar pela noite que se aproximava. O quinteto provou que sabe bem o que faz e parece ter abandonado a arrogância que caracterizara o concerto do ano anterior no Festival Super Bock Super Rock, dando um concerto extremamente bem conduzido e elaborado.

Wraygunn

Só no último dia de festival se pôde assistir a uma verdadeira enchente no palco secundário do Oeiras Alive!. Os protagonistas de tal enchente foram os Wraygunn, banda que começa agora a ter uma legião de fãs que sai para a rua sem medo. A banda de Coimbra está em plena promoção do seu mais recente trabalho, Shangri-la (editado no passado mês de Maio) e o concerto que deram no último dia do festival, foi um concerto à-la Wraygunn, com todos os devaneios possíveis de Paulo Furtado, sempre irreverente e provocador.

O concerto abriu com “Just a Gambling Man…” e a partir daí desfilaram temas quer do seu mais recente trabalho, quer de trabalhos anteriores. Destacam-se “Juice” e “Drunk or Stoned”, pela demonstração da excelente voz de Raquel Ralha, bem como “Love Is My New Drug” e “Love Letters From a Muthafucka”, esta última que já provou de resto ser a melhor aposta de Shangri-la. A fechar, a já habitual “All Night Long” com o também ele habitual passeio de Paulo Furtado pelo público, tendo regressado quase sem camisa e com as calças rasgadas. Os fãs devotos são mesmo assim…

Os Wraygunn receberam a maior ovação que ouvi no palco secundário e como acontecera com os The Rakes no primeiro dia, a banda de Coimbra foi uma das que também não saiu prejudicada pela actuação sobreposta de um dos cabeças de cartaz no palco principal. A questão que nos fica, e dada a prestação da banda e o público reunido para a ver é: para quando uma passagem de um palco secundário para um palco principal?

The (International) Noise Conspiracy

Os The (International) Noise Conspiracy tiveram que lidar com o reduzido número de pessoas que restaram da actuação dos Wraygunn, isto porque se aproximava a hora em que os Beastie Boys começariam a tocar. Este foi um facto a que os The (International) Noise Conspiracy não deram demasiada importância, e durante a hora que se seguiu apresentaram temas da discografia já editada da banda, bem como temas novos a serem incluídos no próximo trabalho da banda – Fixing Cities, que será editado ainda este ano.

Os temas novos foram bastante bem recebidos pelos fãs da banda que se aglomeraram na primeira fila da tenda, e dos temas antigos destacou-se “Communist Moon”. A brilhante actuação dos The (International) Noise Conspiracy perante tão escasso público serviu para sublinhar a falha cometida na sobreposição dos horários que acabou por privar tantos presentes de assistirem a mais e melhores concertos, por terem que optar entre os dois palcos.

A banda sueca não se deixou intimidar pela apatia de alguns presentes, nem pela pouca afluência ao palco secundário e o vocalista Dennis Lyxzén não abandonou nunca os incentivos ao público. Numa entrega irrepreensível os The (International) Noise Conspiracy não tocaram para cumprir horário e o tempo que permaneceram em palco, foi como se a tenda estivesse a rebentar e como se aquele fosse o concerto das suas vidas. Um grande concerto em jeito de encerramento de um dia cujo cartaz pecou pela falta de homogeneidade.

Beastie Boys

Os Beastie Boys eram a principal atracção do último dia do festival Oeiras Alive!. Comummente considerados como uma banda de hip-hop, a verdade é que os Beastie Boys fazem uma fusão de géneros tão diversos como o jazz e o rock, passando pelo hardcore (ou não fossem os Beastie Boys oriundos de Nova Iorque). Com cerca de vinte oito anos de carreira, ainda que o primeiro álbum – Licensed to Ill – date de 1986, os Beastie Boys conquistaram há muito um lugar de destaque no mundo da música. Devem ser poucas as pessoas que nunca dançaram “Fight For Your Right (To Party)”. A curiosidade à volta dos Beastie Boys era, pois, muita.

O trio apresentou-se de fato e chapéu, e a actuação foi mais curta do que se esperava, aparentemente porque os Beastie Boys tinham concerto agendado para o dia a seguir, justamente em Lisboa, na Aula Magna. Apesar disso, houve tempo para temas como “Body Movin’” e “No Sleep Till Brooklyn” que pareciam satisfazer os que apostaram no concerto de Mike D, MCA e Ad-Rock. No meio dos temas mais conhecidos foram estrategicamente encaixados temas do próximo trabalho dos Beastie Boys, The Mix-Up que será editado no final do mês de Junho e que será um trabalho instrumental na sua totalidade, a que os próprios Beastie Boys se referem como “um álbum pós-punk”.

Para o fim do concerto, a banda deixou “Intergalactic” e “Sabotage”, a última com dedicatória endereçada ao presidente dos Estados Unidos. Se os Pearl Jam haviam aberto a secção de mensagem política, os Beastie Boys encarregaram-se de a fechar. De um modo geral, o concerto com que o trio de Nova Iorque brindou os presentes foi deveras interessante, mas as expressões no final pareciam algo entediadas ou desiludidas, como se estivessem à espera de mais uma dose de hip-hop como a que caracterizara o resto do dia. Desenganem-se. É verdade que os Beastie Boys têm muito de hip-hop, mas não do hip-hop de hoje. A expressão old school assenta-lhes na perfeição. Pela selecção dos temas ou pela duração do concerto poderia ter sido melhor, mas não teria sido diferente.

O fim do dia 10 trouxe o fim do Festival Oeiras Alive!. Já se sabe que para o ano vai haver mais, em Julho, uma vez que em Junho se realiza o Campeonato Europeu de Futebol. A primeira edição fica caracterizada pela heterogeneidade do cartaz, que lançou interrogações no público, o que acabou por se reflectir na afluência ao evento, sendo que a mesma apresentou uma trajectória descendente do primeiro para o terceiro dia.

Independentemente do público ser muito ou pouco, eventos do género são sempre de saudar, e o balanço da primeira edição é positivo. A nível de organização, a falha que pareceu mais grave residiu mesmo na gestão dos horários de ambos os palcos, sendo que todo o festival decorreu aparentemente sem problemas e decerto proporcionou concertos memoráveis aos que decidiram apostar numa deslocação a este festival.

Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 10, Junho, 2007.

 
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