Modest Mouse – We Were Dead Before The Ship Even Sank

Foi com muita ansiedade que o novo disco dos Modest Mouse me chegou aos ouvidos. Desde já era o álbum que iria suceder ao Good News For People Who Love Bad News, um dos álbuns que mais excitação causou aqui ao escriba dentro dos meandros da pop/rock. Depois sabia-se de antemão que os Modest Mouse contavam com um novo membro com peso de ouro: Johnny Marr, ex-guitarrista de uma das bandas mais importantes para a música popular, os The Smiths.

O anterior registo causou furor pelos EUA, tornando-os numa das coqueluches do meio mais alternativo. Ainda por cima tinham músicas suas a passar na série “The O.C.”, que alberga tudo o que é fenómeno indie-rock, ou seja, tudo fazia crer que o próximo disco teria que ser um sucesso.

We Were Dead Before The Ship Even Sank estreou-se no primeiro lugar do top de vendas de discos nos EUA, o que para uma banda indie como os Modest Mouse representa que podem não estar assim tão longe de dar o salto para o outro lado.

Tal facto não veio diminuir de todo a qualidade da música da banda, que neste novo disco só nos volta a provar porque é que já gostávamos tanto deles. Isaac Brock continua a cantar como se tivesse o mundo a despedaçar-se na garganta, as guitarras continuam aos trambolhões umas nas outras por um carrossel de tormentos cantados por Isaac Brock. Mas ao quinto disco apuraram a sensibilidade pop do som da banda, e acredito que muito disto se deve à presença de Johnny Marr.

Para muitos a presença do ex-Smiths pode parecer invisível, mas é indesmentível ouvir aquela guitarra labiríntica que preenche todos os nossos vazios em grandes canções como “Dashboard”, “Florida”, “Fly Trapped in a Jar” ou “Steam Engenius”.

“Dashboard”, o primeiro single, deve fazer inveja a muitos dos discípulos dos Franz Ferdinand que surgiram aos pontapés nos últimos lá pelas terras do Reino Unido. Guitarras circulares, com a dose certa de açúcar, refrão bem cantarolável, mas depois tem aquele estilo nervoso de cantar de Isaac Brock e sopros em deboche por todo o lado, o que faz um grande diferença.

“Spitting Venom” mostra-nos que este grupo de Issaguah (do estado de Washington) não está para brincadeiras. Oito minutos e meio com um início bem enganador, fazendo-nos crer que estamos a ouvir um tema a cair para a folk, quando depois dá meia volta e nos brinda com guitarras bamboleantes que se vão acumulando em crescendos épicos enquanto Isaac Brock deixa sair toda a sua loucura e todos os seus fantasmas. Depois o ambiente acalma-se, entram trompetes como que a anunciar uma despedida, até que as guitarras vão adquirindo de novo terreno, mas neste momento adquirem uma certa sensação de paz, apesar da bateria pesada se contrapor a tudo isto.

Mais uma vez os Modest Mouse voltam a não desiludir. E quem ao quinto disco continua em tão boa forma merece toda a atenção de que está a ser alvo. Seja isto mainstream, indie ou o raio que o parta, este é com certeza um dos melhores discos pop/rock que poderemos ouvir este ano.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 28, Junho, 2007.

 
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