Matthew Dear – Asa Breed

Para quem considerava Matthew Dear como um dos novos valores do techno a ter em conta, pode vir a surpreender-se com o seu novo registo Asa Breed. O techno minimal que lhe conhecíamos como precursor ora na sua vertente mais dançável, ora acompanhado de algum obscurantismo, ficou definitivamente remetido para os seus heterónimos: Audion, Japperjaw e False. Como o anterior registo em nome próprio, Backstroke, já ameaçava, Matthew Dear entrega-se agora de corpo e alma às canções. É surpreendente como Matthew Dear consegue criar canções pop perfeitas, que se alojam no ouvido, que passam a pertencer ao nosso quotidiano e que marcam acontecimentos.

“Deserter” é um exemplo que se encaixa habilmente nesta definição. A voz pesada e arrastada, que carrega consigo o peso do desprezo, da perda, que nos desperta logo os sentidos, funde-se com uma batida directa e guitarras quase shoegaze, a lembrar uns My Bloody Valentine, enquanto se ouvem também sintetizadores quase angelicais e um turbilhão de texturas electrónicas que se confundem entre si. Tanta confusão nunca fez tanto sentido. Esta é já uma das canções do ano.

Apesar de neste novo registo se deixar levar completamente pelo formato canção, Matthew Dear não esquece toda a aprendizagem no mundo do techno que teve para trás e esta é uma das características mais surpreendentes em Asa Breed, é o facto de este utilizar inúmeros elementos do techno mais minimal em autênticas canções pop (“Neighbourhoods”, “Don and Sherri” ou “Pom Pom” são alguns exemplos disto). Mas não só de elementos electrónicos vive este disco, pois há espaço também para uma surpreendente guitarra acústica a que Matthew Dear se entrega no final do disco. “Give Me More”, “Midnight Lovers” e “Vine To Vine” são disto exemplo. Nesta última faixa Matthew Dear aparenta mesmo um cruzamento entre duas grandes figuras da música: Johnny Cash e Nick Cave.

Se os TV On the Radio fizessem música electrónica com vincos no techno soariam ao que se ouve em Asa Breed. Ao terceiro registo em nome próprio Matthew Dear abre novos horizontes à sua carreira e ilumina-nos caminhos que dantes soavam demasiado difíceis de se desbravarem.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 12, Julho, 2007.

 
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