Bunnyranch ao vivo na Capricho Setubalense

:: 13 de Julho de 2007

Os mais atentos já notaram, certamente, que a “velhinha” Capricho Setubalense anda diferente nestes últimos tempos. Têm havido mais actividades praticadas, mais eventos promovidos e uma maior dinâmica cultural. Por isso, as cerca de duas centenas de pessoas que passaram pela Capricho na passada sexta-feira 13 não foram uma surpresa.

A razão de tanto interesse era fácil de justificar, uma vez que iriam actuar os conimbricenses Bunnyranch, que na semana anterior haviam dado, segundo constam as crónicas, um dos melhores concertos do Super Bock Super Rock. Era a primeira vez que a banda se apresentava em Setúbal; e havia muita gente ansiosa por isso.

Os Bunnyranch são um dos estilhaços dos Tédio Boys, banda de culto do rock’n’roll nacional, que na década de 90 incendiou Portugal e os Estados Unidos e que fez com que se convencionasse chamar Coimbra de capital nacional do rock. Liderados pelo carismático Kaló – um pouco ortodoxo vocalista/baterista omni-presente, que toca à frente do palco em pé, lembrando a lenda Gene Kupra –, os Bunnyranch vão beber às raízes do rock’n’roll, quando este tinha a ver com ser jovem, rebelde e festivo.

Para abrir a noite e aquecer as hostes esteve One Man Hand, projecto one-man band de Steve França, um bluesman que ataca sozinho e simultaneamente a bateria, a guitarra, a harmónica e o kazoo, para além de também cantar. Com o seu blues-rock marcial e muito descontraído, sobre mulheres, vício e pecado, One Man Hand puxou pelo público, fê-los aproximarem-se do palco e ouvi-os acompanharem-no com palmas. No final, o público pediu por mais e ele recompensou-os com um longo encore.

 Estava anunciada a festa. E pouco tempo depois de o One Man Hand ter abandonado o palco, os Bunnyranch invadiram-no a todo o gás. “Flip Flop” foi o primeiro tema e serviu logo de rastilho para despoletar o enorme barril de pólvora que eram os jovens do público na primeira fila. É que os Bunnyranch não querem descobrir o rock; preferem apenas senti-lo explodir. O público mostrou estar em sintonia com a banda, acompanhando-os várias vezes nos refrões, principalmente sempre que Kaló se chegava à frente para pedir mais apoio. E este aproveitou ainda para saudar não só os setubalenses, mas também os barreirenses, segundo o qual é a “verdadeira capital do rock nacional”.

 Como seria de esperar, o alinhamento fez-se sobretudo com Luna Dance, o último registo de originais da banda – “Your Words Are My Jokes”, “Can’t Stop The Ranch” e “In The Land Of The Poor” foram já recebidos pelo público de braços abertos, como se as conhecessem de cor e salteado há já vários anos –, mas os Bunnyranch não se furtaram a pegar nos temas mais antigos – “Liar Alone” continua a ser uma verdadeira granada de mão – e até houve a versão da praxe de “Hungry”, clássico de Paul Revere And The Raiders. Na prateleira, à espera de ser estreada ao vivo, continua a versão da primeira música rock gravada em Portugal, “Sansão Foi Enganado”, clássico de Zeca do Rock.

Os Bunnyranch estão mais seguros e mais maduros em cima do palco e, para isso, em muito contribuiu a entrada de João Cardoso para as teclas. É certo que o órgão agora está menos esfuziante do que era costume, mas em compensação os temas ganham mais textura e novos trajes a que não estávamos habituados, como foi o exemplo de “On My Way Out”, um dos grandes momentos da noite.

Depois de terem voltado para o encore, os Bunnyranch despediram-se de Setúbal, debaixo de uma unânime salva de palmas e muito boas recordações por parte do público setubalense. E prometerem voltar.

texto: Pedro Soares
fotos: Vítor Nascimento

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~ por hiddentrack.net em 14, Julho, 2007.

 
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