Smashing Pumpkins – Gish

smashingpumpkins-gishO primeiro álbum dos Smashing Pumpkins passou despercebido pela maioria na época da sua edição, numa altura em que o grunge se instalava confortavelmente no panorama musical. Hoje, ao ouvirmos Gish, fica a clara certeza de que quem ouviu este trabalho há dezasseis anos atrás, por certo achou que estava perante uma das mais promissoras e geniais bandas dos últimos vinte anos. Hoje, o primeiro trabalho dos Smashing Pumpkins é um registo praticamente vintage, perfeitamente up-to-date, quando já se passaram mais de quinze anos da sua edição.

Gish é uma amostra de rock alternativo de tons ácidos e de momentos de uma energia electrizante que se foi tornando imagem de marca dos Pumpkins, e que a banda soube utilizar nos tempos que se seguiram da melhor forma possível. Aos primeiros temas – “I Am One” e “Siva” – ficamos de imediato contagiados pela voz de Billy Corgan e basta que avancemos um pouco para que não mais passe despercebido o trabalho dos músicos que compõem a banda.

Este trabalho pode parecer um tanto titubeante, próprio das bandas que dão os primeiros passos em registos de estúdio, por outro lado Gish vai-se afirmando pelo seu carácter anónimo e de experiência de quem não tem nada a provar, o que resultou na criação de temas descomprometidos e tão distintos como “Rhinoceros” ou “Crush”. Neste último, transparece desde logo a disposição (dir-se-ia inata) de Corgan para a composição de melodias em jeito de balada, que se tornam instantaneamente em temas que nos conquistam por completo, onde a inocência e pureza dos quadros criados pelo vocalista e guitarrista se mistura com um tom de voz que oscila entre o amargo e o doce.

Deste momento para a frente assistimos a uma espécie de reciclagem do que já tínhamos ouvido nos momentos anteriores do trabalho, ainda que “Suffer” se destaque pelo seu aspecto mais próximo de um certo experimentalismo (tendo em conta o que se ouve em Gish). “Tristessa” volta a recuperar o que se ouvira no início do trabalho, num tom demasiado semelhante, e não traz nada de novo a Gish. Por seu lado, “Window Paine” é também ela uma colagem de “Suffer”, mostrando claramente que entrámos na fase da repetição. O tema final “Daydream” é interpretado por D’arcy Wretzky (baixo) e é um completo desastre, não obstante o trabalho dos violoncelo e violino, que embora esteja bem composto, não é suficiente para salvar a interpretação de D’arcy, que está abaixo do medíocre. O registo finaliza com um tema escondido, “I’m Going Crazy”, também ele perfeitamente dispensável.

Gish podia ser um álbum bem mais interessante. Numa altura em que o grunge florescia furiosamente, o primeiro trabalho dos Smashing Pumpkins praticamente não existiu, tendo sido re-descoberto após a edição do fabuloso Siamese Dream (1993). Se se falar em esqueletos no armário, este é, provavelmente, o maior da carreira dos Smashing Pumpkins.

6/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 28, Julho, 2007.

 
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