Smashing Pumpkins – Machina/ The Machines Of God

smashingpumpkins-machinaApós o feedback relativamente fraco que veio da edição de Adore (1998), os Smashing Pumpkins editaram o quinto álbum dois anos depois da edição do quarto. Com Jimmy Chamberlain de novo na banda, questionava-se o produto final, e pedia-se que não fosse de todo semelhante ao anterior. Machina/The Machines Of God foi inicialmente preparado como álbum duplo, mas as exigências e sobretudo os receios da editora não permitiram que tal acontecesse. Assim, foi editado um álbum composto por quinze músicas, mais rock e menos electrónico que o anterior.

Assim, a abertura com “The Everlasting Gaze” pode ter agradado a muitos, por se assemelhar mais com o que e ouvira em Siamese Dream (1993) do que em Adore. Um tema eléctrico, repleto da força que caracterizava temas como “Cherub Rock” ou “Zero”. Mas este é mesmo sol de pouca dura, o tema seguinte, “Raindrops + Sunshowers” aviva de imediato as memórias do álbum anterior, parecendo quase “Perfect” tirada a papel químico. De facto, este Machina/The Machines Of God é uma espécie de fusão dos trabalhos dos Smashing Pumpkins, mas sem o cuidado e a inovação que caracterizou especialmente os segundo e terceiro álbuns.

Com a progressão do disco no leitor não é estranho notarmos que à medida que avança, Machina/The Machines Of God vai esbarrando com diversos obstáculos, e vai também ficando envolto numa bruma demasiado difusa, criada pelas variações na dinâmica do álbum, que aqui são tudo menos positivas, por proporcionarem momentos demasiado distintos, mas que já não se ligam harmoniosamente, como acontecia nos trabalhos anteriores e um perfeito exemplo disso é a transição de “Try, Try, Try” (que é até um dos temas mais interessantes, tal como “Stand Inside Your Love”) para “Heavy Metal Machine”.

“This Time” é um dos poucos temas do universo de Machina/The Machines Of God que merece ser mencionado, com Billy Corgan numa interpretação que não encontramos em nenhum dos outros trabalhos. Não por ser dotada de um fascínio especial, mas porque não pretende assemelhar-se com nenhuma que esteja demasiado gravada na nossa já desgastada memória auditiva quando chegamos a este ponto do registo. “Glass And The Ghost Children” é um tema de natureza épica para o qual dificilmente temos já paciência, mas que quando ouvido isoladamente consegue deixar transparecer influências do rock psicadélico e, inevitavelmente, dos reis e senhores do género, os Pink Floyd.

Perto do fim, “The Crying Tree Of Mercury” recupera na totalidade os ambientes de Adore e Machina/The Machines Of God começa a perder interesse em quantidades demasiado perigosas, fazendo-nos esperar pelo encerramento de um modo quase nervoso. O registo finalmente termina, num tom completamente desinteressante com “Blue Skies Bring Tears”, seguido por “Age Of Innocence” que ainda consegue despertar alguns sorrisos, mas tal acontece numa fase em que é tarde de mais.

Machina/The Machines Of God surge numa fase em que os Smashing Pumpkins atravessavam diversos problemas. Não parecendo como uma desculpa, a verdade é que determinadas circunstâncias obviamente influenciam o trabalho desenvolvido. Os Smashing Pumpkins sofreram-no na pele com este trabalho, uma amostra muito pouco significativa daquilo que nos haviam já apresentado, deixando muitos próximos da desilusão.

6/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 28, Julho, 2007.

 
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