No Age – Weirdo Rippers

No Age – à partida pode soar um nome estranho, provavelmente uma banda nova a querer entrar no comboio das novas repescagens new age, comboio esse que já descarrilou há algum tempo. Mas afinal não, este duo tem raízes no trio punk Wives, grupo da cena D.I.Y. de Los Angels. Se quando acabarem de ouvir a estreia Weirdo Rippers quiserem logo colocar-lhes o carimbo art-rock fazem mal, muito mal. Estes No Age têm demasiadas ideias (concretizadas), demasiada vitalidade, demasiada sede em criar algo de surpreendente para que fiquem arrumados na gaveta do art-rock. Em 29 minutos ouvimos noise-shoegaze-pop-punk-rock e na verdade não são precisos mais, porque quando se tem talento não é preciso criar longas peças intermináveis e entediantes.

O nome do disco não se poderia adequar mais perfeitamente ao que ele tem lá dentro. Este duo americano vai esquartejando estranhamente de música para música partes das sonoridades de bandas Sonic Youth, My Bloody Valentine e claramente Ramones, ou até de mais novatos como os Liars, Animal Collective e Black Dice. Depois de esquartejarem tudo e resumirem a faixas de 2/3 minutos, são-lhes injectada uma jovialidade tal que nos faz imaginar que poderíamos estar a ouvir isto pela primeira vez.

Algo que faz elevar este nível de jovialidade surpreendente é a forma como está gravado o disco, como se estivéssemos a vê-los e a ouvi-los numa garagem bafienta dos subúrbios de Los Angeles a produzir este som e a experimentar o que lhes passava pela cabeça. Não faz mal passar da distorção flutuante de “Every Artist Needs A Tragedy” para o punk-rock sujo de “Boy Void” e logo de seguida para experiências com loops hipnotizantes em “I Wanna Sleep”, sendo que mais à frente temos direito a mosh adolescente em “Everybody’s Down”, com uma sensibilidade pop inesperada num disco do género.

Mas há mais para descobrir, muito mais, algo que só o tempo proporcionará. Por agora é necessário agarrar nisto o mais depressa possível, ouvi-lo até mais não, rebolar pelo chão, bater com a cabeça nas paredes, flutuarmos pela sala e desfrutarmos de um disco com demasiado fulgor para ser esquecido.

8/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 9, Agosto, 2007.

 
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