Joanna Newsom

Se porventura existisse uma fórmula para o êxito incluiria, certamente, três ingredientes: trabalho árduo, sorte, talento. A norte-americana Joanna Newsom conseguiu conciliar os três e com apenas 22 anos viu-se em digressão pelo seu continente e por outros. Atravessando o Atlântico chegou pela primeira vez ao nosso país em 2005, um ano depois de ter lançado o primeiro álbum – The Milk-Eyed Mender.

Joanna Newsom nasceu nos primeiros dias de 1982, no Nevada, Califórnia, numa família apaixonada pela música. A harpa nasceu em si aos oito anos, quando começou a aprender a conduzi-la pelas suas melodias. Aluna dedicada, Newsom estudou, para além das técnicas clássicas, o legado celta, senegalês e venezuelano, que justificam a peculiaridade e magnificência com que toca.

O seu percurso académico foi seguindo pelos trilhos previstos. Terminado o secundário, Newsom tinha firme a convicção em ser compositora e ingressa no Mills College, uma escola de estudos superiores, onde estudou composição e escrita criativa. Todavia, a predominância dada ao clássico, aliada à descoberta do seu gosto por géneros musicais como o folk dos Apalaches (Cordilheira da América do Norte) e pelo bluegrass, fez com que a sua passagem por lá não fosse tão prazenteira como poderia ser.

Chegando a este ponto, importa fazer uns parênteses na biografia de Newsom e compreender o que é o bluegrass. Assim sendo, trata-se de música tradicional americana, inspirada na música dos imigrantes provenientes de Inglaterra, Escócia e Irlanda, mas principalmente nos escoceses e irlandeses que se fixaram nos Apalaches, assim como no jazz e blues dos afro-americanos.

Regressando a Newsom, a estadia no Mills College foi, no entanto, proveitosa. Lá conheceu Noah Georgeson e acabou por ser convidada a integrar a sua banda – The Pleased – tocando piano. Paralelamente, manteve a sua relação com a harpa, tendo a família e amigos como público. Começou também a cantar, quando sentiu pulsarem em si palavras para acompanharem o som. Foram nestes pequenos concertos íntimos que nasceram Walnut Whales (2002) e Yarn And Glue (2003). Gravações caseiras distribuídas entre amigos, que passaram a amigos, que passaram a amigos. Pelo menos assim supomos que tenha sido, uma vez que acabaram por chegar aos ouvidos de muitos, recebendo boas críticas. Nestes dois registos estão contidos muitos dos temas que foram depois apresentados no The Milk-Eyed Mender (2004).

Will Oldham – também conhecido como Bonnie ‘Prince’ Billy – foi um dos que ouviu os dois álbuns de produção caseira de Joanna Newsom e gostou. Tanto que a convidou para o acompanhar na sua digressão. Este foi o seu golpe de sorte. Pouco depois, Newsom assinou com a Drag City, lançou o já referido álbum de estreia e voltou a acompanhar uma digressão, desta vez de Devendra Banhart.

O seu percurso tem sido sempre ascendente. Em finais de 2006 lançou o segundo álbum de estúdio – Ys – que foi recebido entusiasticamente e elevado a um dos melhores do ano. O terceiro melhor, segundo o Pitchfork Media. Este ano, recebemos mais uma obra sua, o EP Joanna Newsom & the Ys Street Band, acompanhado de uma visita para dois concertos – em Lisboa e Braga a 2 e 3 de Maio, respectivamente –, inserida na sua digressão pela Europa. Porém, esta não foi a sua primeira visita. Em 2005, na sequência da promoção ao The Milk-Eyed Mender, Newsom esteve no Lux, deixando saudades e fãs embevecidos. Este ano repetiu a dose.

Para além do seu percurso a solo, e do seu desempenho nos The Pleased, Joanna Newsom já colaborou também com diversos artistas, tais como Vetiver, no seu álbum homónimo de 2004, Vashti Bunyan, no Lookaftering (2005), os seus conterrâneos Golden Shoulders, no Let My Burden Be (2002) e ainda no A River Ain’t Too Much to Love (2005) de Bill Callahan, conhecido como Smog. Devendra Banhart seleccionou, ainda, a sua “Bridges And Balloons” para integrar uma compilação que criou – The Golden Apples of the Sun (2004) –, a par de nomes como Six Organs of Admittance, Iron & Wine, CocoRosie e Antony.

Dona de uma beleza e voz pouco comum, para além da harpa e do piano, Joanna Newsom toca ainda cravo e é hoje uma das princesas do universo indie, aclamada como exemplo do que melhor se faz no folk psicadélico.

Sílvia Dias

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~ por hiddentrack.net em 8, Setembro, 2007.

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