Placebo – Covers

Inicialmente, este registo foi incluído como CD bónus da edição limitada de Once More With Feeling (Singles 1996-2004) (2004). Três anos depois, os britânicos Placebo decidem render-se às edições online, e o lançamento surgiu aparentemente a título de experiência, dada a escolha do material. Covers nada acrescenta à carreira mais que solidificada do trio encabeçado pelo carismático Brian Molko. O que aqui temos são nada mais que algumas boas versões (e outras menos boas) de temas de bandas e artistas tão distintos entre si como os Smiths, Serge Gainsbourg ou Depeche Mode.

“Running Up That Hill”, um original de Kate Bush, é o primeiro tema, e é também, provavelmente, uma das versões mais conhecidas dos Placebo, uma vez que a banda já interpretou este tema ao vivo diversas vezes. Esta versão é, de resto, uma das mais cuidadas de todo o compêndio, talvez por ter sido trabalhada durante mais tempo. Tendo presente a interpretação original de Kate Bush, constatamos que este tema poderia ter sido feito para os Placebo, dada a perfeição com que a voz de Molko encaixa no tema. O mesmo já não se pode dizer do seguinte. “Where Is My Mind?” é, decerto, a aposta mais conhecida de todas as que compõem a lista escolhida pela banda, e o que aconteceu na versão dos Placebo foi aquilo que vulgarmente é considerado crime. O que acontece no tema dos Pixies é claramente oposto à versão do tema de Kate Bush. Não há uma nota certa, não que a versão pretenda ser igual, mas quando pensamos em covers temos a inevitável tendência de procurar semelhanças entre as versões originais e as versões-tributo. Em “Where Is My Mind?” o saldo dessa semelhança é nulo, e infelizmente para os Placebo, esta foi uma tentativa gorada, uma audição cujas lembranças tentamos apagar da nossa memória.

Avançando cuidadosamente, os Smiths são a escolha seguinte. Em trajectória acidentada, “Bigmouth Strikes Again” é, a par de “Running Up That Hill”, um tema que poderia ter sido composto pelos Placebo, tal é a naturalidade e fluidez com que Brian Molko interpreta as palavras originalmente cantadas por Morrissey. E a parada continua, ensombrada por uma indiferença que só será disfarçada pelo tema de Serge Gainsbourg que os Placebo recriaram, “The Ballad Of Melody Nelson”, e que foi também incluído na colectânea de homenagem a este compositor francês. Repleto de elementos electrónicos, este tema é o encontro da sensualidade com a sofisticação e torna-se o ponto central deste trabalho por isso mesmo: recupera características da música original dos Placebo, que sendo muitas vezes melancólica, é também cosmopolita e carregada de sex appeal.

“I Feel You” foi o tema escolhido dos Depeche Mode (provavelmente uma das bandas mais reproduzidas da história) e a versão dos Placebo, mesmo bastante colada ao original, apresenta aqui um toque muito próprio do trio, que nos relembra temas do segundo trabalho da banda, Without You I’m Nothing (1998). Este é também o último tema digno de destaque neste trabalho dos Placebo, dado que quer as versões dos Boney M. como a de Sinnead O’Connor estão bastante próximas da nulidade, sendo temas completamente desinteressantes e sem qualquer tipo de relevo.

A opção dos Placebo de editarem um trabalho exclusivamente pela Internet representa um quase fracasso. Covers é um registo seco e sem sabor, feita a excepção de quatro temas num universo de dez. O seu propósito assume-se como uma segunda oportunidade para os que não tiveram a hipótese de adquirir a primeira edição deste conjunto de temas. E é assustadoramente próximo do dispensável.

5/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 12, Setembro, 2007.

 
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