Amiina ao vivo no Santiago Alquimista

As Amiina foram fogo num palco que serviu de lareira. Nós sentámo-nos pelo chão do Santiago Alquimista a aquecer o coração e a descansar o corpo, amimando os ouvidos no crepitar das notas que se soltavam das pontas dos dedos das quatro meninas que vieram do frio. As noites de Outono ainda não são frescas, mas ali poder-se-ia suportar qualquer frio glaciar.

::  05 de Outubro de 2007

Uma noite de aconchegos

Não se esperava lotação esgotada na segunda noite de apresentação das Amiina no nosso país. Habituados a ouvi-las como pano de fundo dos Sigur Rós foram, porém, muitos os que quiseram ver como se saíam agora por conta própria, com um concerto e uma plateia apenas seus.

Com a sala a meia-luz, a noite teve um início sereno, melancólico e contido. Falamos de “Boga”, o tema que fecha o novíssimo Kurr e que foi fortemente aplaudido. O longo preâmbulo abriu caminho a um desfile de temas, em que o primeiro registo de longa duração do quarteto se viu quase integralmente representado, como era previsto.

Depois de “Ugla” e da belíssima “Glámur”, as Amiina juntaram-se na boca do palco e iniciaram o primeiro inédito da noite, “Strengjamora”. Mas não estavam sozinhas. Ao longo de toda a apresentação foram contando com o apoio de um amigo – o único elemento que não usava vestido, nem qualquer adereço vintage em palco -, que as acompanhava na bateria. De facto, o palco chegava à justa para albergar todos os instrumentos que o quarteto islandês usou para destilar temas melódicos e de uma delicadeza extremada. Foi por entre o choro de violinos e o cantar de copos que chegámos a “Hemipode”, o primeiro tema que fez subir realmente as luzes da sala e obrigou os ouvintes a abanar levemente a cabeça.

Saltando de instrumento em instrumento, as Amiina foram presenteando todos os que se espalhavam pelo chão da sala, com os olhos postos em si, com um espectáculo agradável, em que poucas foram as falhas a apontar, mas que nunca chegou a um nível mais elevado, soando, por vezes, a um grande tema único e não a vários. Há, claro está, excepções que se materializam em “Seoul”, “Lóri” e “Ammælis”, que são, de resto, os melhores temas do colectivo.

“Seoul” trouxe alegres campainhas e prantos de serrote, que criaram um ambiente que só foi superado pelas notas de acordeão de “Lóri”. Quando se deu a primeira saída de palco, foram aplaudidas de pé por toda a plateia, mas todos sabiam que faltava ainda algo e a noite só terminou quando as primeiras notas electrizantes de “Ammælis” soaram.

A forma como se movem em palco e como fazem música com os mais estranhos objectos é encantadora e o concerto não gorou expectativas, mas não surpreendeu. Foi exactamente o que se estava à espera, com o que de bom e mau tal constatação possa acarretar. Foram merecidamente aplaudidas, é certo, mas esperamos delas uma maior libertação daquilo que já foram. No futuro pedimos mais Amiina.

Alinhamento:
“Boga”
“Ugla”
“Glámur”
“Strengjamora”
“Bláskjár”
“Hemipode”
“Lúpína”
“Kola”
“Sexfaldur”
“Bláfeldur”
“Pjarska”
“Seoul”
“Lóri”
“Mambo”
Encore:
“Saga”
“Hilli”
“Ammælis”

texto: Sílvia Dias
fotos: Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 5, Outubro, 2007.

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