Lobster – Sexually Transmitted Electricity

Dizer que os Lobster estreiam-se com o disco Sexually Transmitted Electricity poderia induzir que a banda estaria agora a dar os seus primeiros passos. Embora este seja, de facto, o seu primeiro disco de longa duração, o percurso de mais de meia dezena de concertos dentro e fora de Portugal, de várias edições em netlabels, splits e cd-r’s comprova que o “dinamic duo” composto por Ricardo Martins e Guillherme Canhão já tem por esta altura o corpo suficientemente calejado. Aliás, os Lobster deverão apresentar mesmo várias cicatrizes causadas pelas explosões sónicas que provocam cada vez que sobem ao palco. São somente dois, mas isso pouco importa – fazem o ruído de dezenas.

Tanto o artwork como o título do disco remetem-nos aquilo que verdadeiramente é a música dos Lobster: uma portentosa ejaculação eléctrica. A guitarra de Guilherme Canhão contorce-se violentamente ao longo de todo o disco, disparando decibéis nervosos e distorcidos em todas as direcções. Já Ricardo Martins, incute nos devaneios de Guilherme ritmos improváveis, espasmódicos e violentos. Da fusão noiserock / grindcore de “Ultrabitch” passamos pelo rock psicadélico de “Hot Falmingos (pink pelican) e uma irregular exploração das composições noise com retoques pós-rock de “Dr. Phill” ou “Farewell Chewbacca”. Não existe propriamente um estilo predominante nas composições dos Lobster – embora o nome dos Botch pareça acompanhar cada silêncio que faz mudar a faixa – mas existe uma atitude musical bem vincada: um misto de irreverência, electricidade e rock.

A produção de Paulo Miranda e Rodrigo Cardoso por certo agradou à dupla de Lobster. Tanto a guitarra como a bateria aparecem despidas de artifícios, de truques para soarem mais fortes ou mais vívidas do que aquilo que serão num qualquer concerto. Esta “pobreza” de densidade sonora poderá incomodar alguns ouvidos, mas em Sexually Transmitted Electricity parece vir acentuar o trabalho dos dois músicos. Por outro lado, a crueza com que se ouve o atacar da bateria de Ricardo e o frenético movimento dos dedos de Guilherme contribui para o impacto geral do disco. Não é por acaso que a banda tem a configuração que tem. Corrompê-la em disco seria, no mínimo, uma atitude hipócrita.

“Keep It Brutal” e “Lavagante”, dois temas já editados anteriormente numa colaboração com os Veados Com Fome, espelham de forma curta e directa uma química interna à banda que parece não desvanecer ao longo de todo o disco. “The Root Of All Evil Things Is Mathematical” encerra o álbum de forma atípica, em jeito de recobro sonoro e recuperação do fôlego. Os 40 minutos de Sexually Transmitted Electricity confirmam que o som produzido por esta “lagosta” seria muito bem capaz de electrocutar todos os restantes peixinhos do aquário. Fica o aviso.

8/10 | Gonçalo Sítima

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 16, Outubro, 2007.

 
%d bloggers like this: