Entrevista com CoolTrain Crew

Eles dizem que estão há “11 Anos Ássar Frangos” (como se pode ler no interior do novo disco), nós dizemos que estão há 11 anos a explorar a música urbana em Portugal. Agora que se preparam para editar a compilação de remixes feitas entre 2000 e 2006, chamada Southeast D’N’B Flavas, o hiddentrack.net foi falar com os CoolTrain Crew para perceber melhor qual o seu papel na actualidade e que experiências têm desenvolvido.

Na vossa compilação fazem remisturas de músicas de artistas tão díspares como Blind Zero, Da Weasel ou Dead Combo. O que é que os motivou nos originais para trabalharem sobre eles?

Tanto os Dead Combo como os Da Weasel surgiram de convites por parte das bandas, enquanto os Blind Zero foram escolhidos do leque que havia disponível do catálogo da Universal. Embora sejam bandas que em termos de estilo e sonoridades não tenham grande coisa a ver entre si, são bandas que a Cooltrain admira. Além disso são originais que de uma ou outra forma sentimos que podiam ser remisturados para pista, em formato drum and bass.

Já tiveram algumas reacções por parte dos artistas que vocês remisturaram?

Na altura em que acabámos a remistura dos Da Weasel eles foram ao estúdio ouvir em primeira mão e a reacção foi muito boa e deixou-nos bastante orgulhosos. Os Blasted (Mechanism) também já ouviram, bem como os Dead Combo e as opiniões foram sempre, felizmente, positivas.

O colectivo já está formado desde 1995, mas neste início de século “sofreu” uma profunda regeneração nos seus membros. O que é que levou a isso?

O que aconteceu foram circunstâncias da vida e caminhos novos que se abrem, alguns sentiram que o seu contributo estava feito e que o drum and bass tomara um rumo que não seria o que eles desejariam ou esperariam. Mas estão todos aí na “praça”, e a dar cartas… isso significa que as apostas foram todas ganhas, ninguém saiu a perder.

Este ano dois dos vossos membros (Riot e Alx) produziram a banda-sonora do espectáculo “Urgências 2007”. Como correu essa experiência com o teatro?

Correu muito bem mesmo! Foi uma experiência nova para ambos e muito gratificante, porque podemos juntar duas artes num mesmo palco, fazer parte do processo criativo e interpretativo. Tanto a peça como a banda sonora cresceram juntas e houve bastante interacção entre encenador, actores e djs. Durante um mês de representação funcionamos como uma família.

Consideram que nos dias de hoje onde todos os estilos se fundem na tentativa de criar algo novo e estimulante, também é necessário juntar a música a outros tipos de arte?

Sem dúvida, e isso já acontece, a música já interage com todos os tipos de arte, nas festas tens os vjs, tens o caso do “Urgências 2007” que fundiu teatro com djing. Acho que já não existem grandes barreiras, já que existe uma complementaridade entre as várias áreas artísticas. Basta haver vontade para isso aconteça.

Uma das várias experiências do vosso colectivo foi o das Lux Jazz Sessions. Encontram no jazz também uma forma de se modernizarem? Como?

Nós costumamos dizer: drum&bass, o be bop do novo millenium. Não diria modernizar mas sim refrescar e actualizar o contacto directo com músicos de topo e com as suas músicas.

Todos os vossos membros actualmente estão ligados ao kuduro e outras linguagens musicais urbanas que nos últimos tempos mereceram uma maior atenção do público. Nunca pensaram em incorporar esse tipo de sonoridades no vosso trabalho, uma vez que este está predominantemente ligado ao drum’n’bass?

Acho que a Cooltrain sempre tentou primar pela variedade tanto nos sets ao vivo como na produção, por isso não é nada do outro mundo para nós tentar incorporar algo mais Afro ainda nos beats de DnB. É possível e na compilação podes encontrar vários exemplos disso, como por exemplo o “Entendimento” com o Prince Wadada ou o “Lisboa Insana” com o Sam The Kid.

Nos últimos anos temos visto um pouco por todo o mundo vários movimentos musicais urbanos a receber uma maior atenção além dos pequenos meios onde se movem, tanto o grime e dubstep em Londres, baile funk no Brasil, entre outros. O vosso colectivo é um dos mais importantes para a música urbana nacional e este ano, muito graças ao sucesso dos Buraka Som Sistema, tem-se assistido a um despoletar de músicos que estão a pegar no kuduro (e não só) de forma moderna. Como têm visto tudo isto?

É sempre bom ser o impulsionador de algo novo. Não que o kuduro tenha aparecido com os Buraka Som Sistema mas de qualquer maneira, o nosso kuduro com uma roupagem mais Europeia veio de certa forma abrir muitos olhos e para nós isso é excelente. Nunca veremos esses artistas como imitadores mas sim como seguidores e isso é um motivo de grande orgulho para nós .

Já que são um colectivo tão ligado às músicas urbanas, se tivessem que nomear alguns dos vossos artistas actuais preferidos ligados a estas músicas, quais seriam e porquê?

Macacos do Chinês, Buraka Som Sistema, Sam The Kid, Coca, Matthew Ship, André Fernandes, Digital, Dillinja, Calibre, isto só para citar alguns.

João Moço
outubro.2007

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~ por hiddentrack.net em 18, Outubro, 2007.

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