Editors ao vivo no Pavilhão do Restelo

Mais que simplesmente competentes, coube aos Editors proporcionar uma deslocação bem merecida ao inóspito Pavilhão do Restelo. Durante pouco mais de uma hora, o quarteto britânico descarregou sem piedade uma animada dose de indie rock, perante um público claramente conhecedor do trabalho da banda, que não se coibiu de entrar no jogo proposto pelos Editors.

::  16 de Novembro de 2007

Este Outono trouxe ao nosso país uma série de artistas e bandas há muito desejadas. Os britânicos Editors fazem decididamente parte desse conjunto. O espaço designado para o concerto da banda, esse, deixava à partida muito a desejar, uma vez que o Pavilhão do Restelo, no complexo do Estádio do Restelo, não foi concebido para o efeito. Contrariamente ao que podia ser esperado, as condições do pavilhão, sobretudo ao nível do sistema de som, sempre se mantiveram ligeiramente acima do apenas aceitável. A abertura ficou a cargo dos Mazgani, que não tendo conquistado a totalidade dos presentes, souberam aquecer na perfeição os que se dispuseram a acolher o som da banda de Sharyar Mazgani.

Assim, passavam escassos minutos das nove da noite quando os Mazgani se apresentaram em palco, com a habitual e semi-apocalíptica “Thirst”. Por entre alguma admiração dos que não conheciam e entusiasmo dos já familiarizados, foi-se juntando uma massa humana simpática junto ao palco, numa altura em que o pavilhão estava longe de estar sequer com um terço da lotação. Sem grandes palavras, os Mazgani foram apresentando alguns dos temas que compõem Song Of The New Heart (2007), como “Crazy Wind” ou “Somewhere Beneath The Sky”. Perante uma audiência que ia crescendo em número, os Mazgani despediram-se com “Let Your Lips Blossom In A Kiss” de um concerto que, embora bastante bem conseguido, não conseguiu captar a energia que a banda pretenderia.

Arranjos em palco e testes de som feitos, foi com um pavilhão com uma lotação já bem mais composta (cerca de três quartos da capacidade total) que os Editors entraram finalmente em palco. A abrir o concerto, um tema do primeiro álbum da banda, The Back Room (2005), e a escolha recaiu sobre “Lights”. Ao segundo, já era impossível não se estar completamente contagiado pela energia inesgotável de Tom Smith (voz, guitarra), que esteve, de resto, imparável durante todo o concerto, numa performance que lhe permitiu de tudo – desde dançar em cima do piano como fazer equilibrismo na bateria de Ed Lay. Com um alinhamento que se dividiu equitativamente pelo primeiro trabalho e pelo mais recente An End Has A Start (2007), os Editors propuseram-se a construir um concerto em crescendo de emoção e energia e este objectivo foi plenamente alcançado.

O primeiro grande momento desenhou-se à passagem do par “Bullets” e “An End Has A Start”, onde o público estava consumido por uma energia tão avassaladora como a que emanava do palco. Pelo meio, os Editors apresentaram um tema novo, “Banging Heads”, que em nada foge àquilo que a banda de Birmingham nos tem vindo a oferecer desde há dois anos para cá. Sempre no centro do palco e das atenções, até porque os restantes membros são bastante apagados, Tom Smith segurou o espectáculo do início ao fim, variando entre a guitarra e o piano, sempre frenético, bem disposto, comunicativo, mas num sentido que não exige demasiadas palavras. À passagem de “Open Your Arms”, aconteceu justamente o que o tema sugere: ”Open your arms in welcome / To people to your town”, como se mais que uma simples canção, este fosse realmente um grito de boas-vindas, um grito que ecoou pelo pavilhão durante os cerca de seis minutos que compõem a faixa. Este foi o último tema que os Editors tocaram antes de uma passagem breve pelos bastidores, ao que depois regressariam, com três temas seleccionados em jeito de encore. “You Are Fading” (dos b-sides de The Back Room) antecedeu a espectacular “Smokers Outside The Hospital Doors”, um tema tocado de uma forma mais que exímia, que teve o condão de transformar uma boa música, num momento épico, envolto numa perfeição raríssima, com um jogo de luzes fabuloso que envolveu todo o pavilhão numa espécie de máquina do tempo onde todos os relógios congelaram à passagem de um tão belo momento. Indubitavelmente, foi este o ponto que deu todo o significado e brilho à actuação dos Editors. A fechar, regresso a The Back Room, desta feita com “Fingers In The Factories”, que acabou por ficar ofuscada pelo brilho do tema anterior, mas que não deixou de ser uma boa despedida, com o aviso de um regresso no Verão.

Esquecendo o fraco sítio onde actuaram, os Editors souberam bem como ter o público na mão, e embora este não fosse do mais efusivo que existe, deixou-se contagiar pela intensa energia que sempre emanou do palco. Sem meias medidas e extremamente profissionais, os Editors proporcionaram um concerto bem concebido que mereceu todos os aplausos. Esperamos o regresso? Com certeza que sim.

Alinhamento:
“Lights”
“Bones”
“Bullets”
“An End Has A Start”
“The Weight Of The World”
“Blood”
“Escape The Nest”
“Banging Heads”
“All Sparks”
“When Anger Shows”
“Spiders”
“The Racing Rats”
“Munich”
“Open Arms”
“You Are Fading”
“Smokers Outside The Hospital Doors”
“Fingers In The Factories”

texto e foto: Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 17, Novembro, 2007.

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