The Killers – Hot Fuss

killers-hotfussO novo milénio viu surgir consigo um conjunto de jovens bandas de rock alternativo, sem que muitas vezes seja fácil encontrar grandes diferenças entre elas. Com referências comuns (as bandas alternativas dos anos 80), criaram um estilo homogéneo, marcado por um despir das músicas, deixando apenas o seu esqueleto e, frequentemente, acrescentando uns toques de sintetizadores, o que lhes confere um ar inacabado. Os The Killers são um bom exemplo disso, não demonstrando quaisquer reservas em misturar o sintetizador, com a bateria, o baixo e a guitarra.

Quase todas as músicas de Hot Fuss têm arranjos de sintetizador tão kitsch que parecem retirados de um álbum dos Erasure ou dos Depeche Mode pré-1986. Mas, ironia das ironias, a mancha de Hot Fuss é a única música que se mantém bem longe dos sintetizadores: “Glamorous Indie Rock & Roll”. O uso do adjectivo “glamorous” associado a esta música é um sacrilégio! Superficial, inconsistente, idiota, todos estes adjectivos seriam muito mais apropriados para uma música que encaixaria perfeitamente na obra dos Blink 182. E “Everything Will Be Alright” quase consegue ser tão má… Mas neste caso trata-se sobretudo de um problema de produção. A opção por manipular a voz, uma precursão medonha e arranjos inqualificáveis, tornam esta música constrangedora! Um exemplo perfeito de como uma má produção pode destruir completamente uma melodia aceitável.

Mas Hot Fuss também proporciona bons momentos. “Smile Like You Mean It”, centrada nos desencantos do crescimento e na melancolia de um passado perdido, mostra um lado mais adulto, equilibrado e profundo, o que também é notório em “Believe Me Natalie”, uma faixa em que o desespero crescente culmina numa apoteose que funciona quase como uma libertação, um renascer.

“Somebody Told Me” é a grande música do álbum, exacerbando a jovialidade e a energia presente em quase todas as outras faixas. A revolta e a raiva transparecem na bateria nervosa e na imponente guitarra e dão por vezes lugar à tristeza e ao arrependimento. “Andy, You’re a Star” é a única música de Hot Fuss que poderia ser tão intensa, e no início parece ser a que melhor reciclou as influências dos anos 80, mas, quando a música chega ao clímax, a atmosfera melodramática e soturna dá lugar a uma espécie de ponto alto de um musical da Broadway… Uma grande desilusão!

Hot Fuss é um bom retrato da juventude, com as suas incoerências e exageros, conciliando a vontade de ser adulto com a incapacidade de não ser uma criança. A inconsistência e o amadorismo de algumas músicas tornam evidente, para quem ouve, que se trata do primeiro álbum da banda, sendo necessário limar algumas arestas, especialmente no que respeita a produção. Talvez fosse boa ideia quebrarem as amarras com os anos 80 e guiarem-se mais pela identidade de que cada música, não esquecendo que a música dos anos 80 soa como soa mais por falta de meios tecnológicos, do que por um desígnio artístico.

7/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 26, Novembro, 2007.

 
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