Qui – Love´s Miracle

Decorria o ano de 2000 quando Paul Christiansen (bateria) e Matt Cronk (guitarra) decidiram quem queriam ser uma banda de rock. Depois dos meios para tal reunidos, nasce o primogénito dos norte-americanos Qui, Baby Kisses (2001). Dos Qui pouca gente ainda sabe, mas o burburinho começa a ganhar espaço e maior amplitude, em muito ajudado pela inclusão de David Yow (final de 2006), mítico vocalista dos extintos Jesus Lizard – um nome incontestável se é de noise rock que falamos. Com Love’s Miracle vem o salto para a Ipecac, o que por si só é um valente empurrão, já para não mencionar os incansáveis sete anos de digressão com que a banda já conta.

Love’s Miracle, sucessor de Baby Kisses e o primeiro a contar com a voz de Yow, é um disco estranho, incategorizável, mas coeso. Alinha o punk e o noise com algum experimentalismo, acrescentando a postura provocatória e insurrecta de Yow – é o que ele sabe fazer de melhor. Em última instância, é um álbum de rock, ponto final. Seco e cru, sem cornucópias, grita para ser tocado ao vivo e não apreciado numa quietude de sofá.

Não sendo momentos particularmente memoráveis, continuam a merecer menção honrosa as covers de “Willie the Pimp”, de Frank Zappa, e “Echoes”, dos Pink Floyd, apesar de não rivalizarem com o resto do álbum: “Today, Gestation” é ácida e picante, “Gash” e “Freeze” são a banda sonora mais que perfeita para um hospício. Não esquecer a repetitiva e hipnótica “A # 1”, um dos momentos mais intensos do álbum, a roçar o psicadelismo.

Love’s Miracle é recomendável, mas não imprescindível. Quiçá seja uma questão de tempo até que este novo alinhamento lime as arestas, pois apesar dos bons momentos que o álbum propicia, parece ler-se nas entrelinhas algum potencial ainda não revelado.

6/10 | Joana Coimbra

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~ por hiddentrack.net em 10, Dezembro, 2007.

 
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