Bloc Party – A Weekend In The City

Homogeneidade. Eis a palavra-chave de A Weekend In The City, um álbum em que nenhuma música se destaca particularmente, não havendo uma diferença significativa entre as melhores e as piores. Tal facto poderá ser fruto de uma certa rigidez de estilo, gerando músicas com sonoridades muito semelhantes. Mas nota-se também em algumas faixas uma falta de amadurecimento de certas ideias, especialmente em termos de produção, e uma nem sempre boa conjugação entre os vários elementos que compõem a música.

“Song For Clay (Disappear Here)” é uma das menos bem sucedidas músicas do segundo álbum dos Bloc Party. A primeira parte da música, calma e simples, parece promissora mas, por uma razão ininteligível, optou-se por acelerá-la a meio. O resultado é uma melodia que se ridiculariza, para além de entrar muitas vezes em colisão declarada com o andamento da bateria. “Uniform” tem exactamente os mesmo problemas. E já para não falar de alguns famigerados momento «ópera-rock» que ambas as músicas nos oferecem, mais uma vez na parte acelerada.

O ponto alto de A Weekend In The City é “The Prayer”, quando se sente que de facto os Bloc Party têm algo de diferente a dizer, e que não são apenas mais uma das muitas bandas indie que surgiram nos últimos anos. “The Prayer” é irreverência, agressividade, heresia, recusando a apatia a que muitas das músicas do álbum se submetem. “Hunting For Witches” parece seguir o mesmo caminho, mas peca pelo esforço em encaixar a letra na melodia, o que não consegue ser feito de uma forma natural.

As gémeas “Kreuzberg” e “Sunday”, com atmosferas melancólicas e solitárias, estão também entre os melhores momentos do álbum, o que se deve quase por completo aos fantásticos riffs (que na verdade parecem ser o mesmo!) nos refrões.

O esforço de Kele Okereke para escrever boas letras é notório, mas nem sempre alcança o seu objectivo. Apesar da inspirado em Morrissey, Okereke raramente consegue igualar o seu lirismo e sensibilidade, ficando-se por um coloquialismo desinteressante, reminiscente de um diário de um adolescente com uma vida bastante monótona.

As músicas que não foram mencionadas são todas de boa qualidade, e essa homogeneidade reflecte-se na nota atribuída ao álbum, mas A Weekend In The City está longe de ser marcante. A ausência de músicas muito boas torna-o no arquétipo do álbum que ouvimos uma dúzia de vezes e que, apesar da experiência ter sido satisfatória, não há grandes motivos para o continuarmos a ouvir. Fica-se com a sensação de que os Bloc Party morreram na praia, contentando-se com um álbum bom, quando, com maior garra e extroversão, poderiam ter feito algo muito bom.

8/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 12, Dezembro, 2007.

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