Maxïmo Park – Our Earthly Pleasures

Ingleses, como se quer. Porque nisto do pós-punk são os britânicos que mandam, embora nos últimos anos, também os norte-americanos se tenham saído bem dentro destes moldes. Mas não há volta a dar. Recuamos ao início da década de 80 e recordamos o pós-punk por excelência dos Joy Division e do malogrado Ian Curtis, ou em tempos mais recentes os já extintos Libertines de Pete Doherty. E há também os Maxïmo Park, uma banda interessante de Newcastle, que fazem fluir harmoniosamente um pós-punk revivalista à mistura com pitadas de indie que nos impelem para o movimento. Our Earthly Pleasures é oficialmente o segundo registo de originais da banda de Paul Smith, ainda que seja o terceiro lançamento, uma vez que a banda editou, em 2006, um álbum de b-sides e demos intitulada Missing Songs. Teoricamente, Our Earthly Pleasures é o sucessor de A Certain Trigger (2005).

É sem dar espaço para pensar que os Maxïmo Park arrancam com “Girls Who Play Guitars”, um tema que nos recorda “The Coast Is Always Changing” (do primeiro trabalho), provavelmente pelas suas características aparentemente saudosistas do ponto de vista lírico. E a energia, que é sempre inesgotável de um ponta à outra. Our Earthly Pleasures vai-se revelando um álbum para ser apreciado num fôlego só, tal é a destreza e rapidez de execução de cada tema, e mesmo com o recobro em “Books From Boxes” a impor uma redução nas rotações por minuto, os Maxïmo Park sabem como trazer de volta a emoção e correria dos primeiros temas. Essa recuperação é feita de imediato com um tema repleto de carisma e energia, “Russian Literature”, com Paul Smith arrojado, solto, provocador.

Chegamos a “Your Urge”, um tema que facilmente nos passa despercebido em primeiras audições, mas que aos poucos se vai revelando um dos colossos deste trabalho, e que tão bem resulta ao vivo. Forte, de uma tensão arrebatadora que acaba por explodir inevitavelmente, transformando “Your Urge” num tema central de Our Earthly Pleasures. E seguem-se-lhe “The Unshockable” e “By The Monument”, dois temas transbordantes de energia electrizante, uma injecção de uma dinâmica musical onde os Maxïmo Park se movimentam com um “à-vontade” desmedido, que lhes vai concedendo um estatuto dentro do género, que é de resto, inteiramente merecido.

Para o fim, os Maxïmo Park intercalam “Nosebleed” e “Sandblasted And Set Free” com “A Fortnight’s Time” e “Parisian Skies”. Estes dois últimos temas saem prejudicados da escolha de alinhamento, uma vez que a primeira dupla faz com algum do espírito do álbum se perca, fruto das marcações demasiado deslocadas em relação ao restante álbum. Felizmente para os Maxïmo Park e Our Earthly Pleasures, “Parisian Skies” repõe o equlíbrio mais ou menos abalado na recta final do trabalho. Um tema mais leve que os anteriores, com a vitalidade dos temas de abertura, e que encerra o segundo disco do quinteto de Newcastle de um modo bastante composto.

Se a tarefa de perpetuar o pós-punk pode ser pesada, é verdade também que esta vertente está recheada de bandas interessantes e que a seu tempo encontrarão um caminho próprio e uma sonoridade que as distinga umas das outras (que já se vai verificando, embora que ainda embrionariamente), conquistando um espaço próprio, uma individualidade. Ainda que demasiado colados ao primeiro trabalho e sem correr grandes riscos, os Maxïmo Park vão no bom caminho. Carisma, presença e talento já provaram que têm. Da próxima, esperamos mais criatividade.

7/10 | Susana Jaulino

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~ por hiddentrack.net em 31, Dezembro, 2007.

 
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