Top 10 2007

Top 10 2007
os melhores discos do ano

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Termina mais um ano e volta-se a fazer o balanço do costume. Esta catalogação, numericamente limitada, logo, imperfeita, por vezes parece mais uma mania dos media em exercer a força da síntese sobre a complexidade da profundidade, que uma necessidade vital para o público leitor (os consensos são praticamente impossíveis). Mas não deixa de ser um exercício interessante e relevante, histórico até, e que ajuda a recapitular um pouco do que aconteceu nos últimos doze meses de música. Que fique então publicado, com pompa e circunstância, o que de melhor soou aos ouvidos do corpo de redactores do hiddentrack.net. Para o ano há mais. Seguramente.

pelican-cityofechoes10 :: Pelican – City Of Echoes

Ao terceiro disco de longa duração os Pelican parecem ter encontrado uma harmonia musical invejável e admirável. City Of Echoes contém no seu interior o legado dos trabalhos editados anteriormente, demonstrando como esta é uma banda que sabe aprender, aperfeiçoar e limar as arestas de disco para disco

Não estranhem se o disco engolir o tempo sofregamente e vos fazer voltar à primeira faixa num ápice. Os Pelican foram capazes de criar um conjunto de músicas que flúi coordenadamente, como o voar de uma ave, percorrendo uma extensa região com diferentes cenários. Este é um disco cujo eco se poderá ouvir durante horas a fio, em qualquer cidade, em qualquer tempo – basta estar atento. (ver crítica) • GS


battles-mirrored09 :: Battles – Mirrored

Este ano uma banda estreou-se nos discos de originais com um tipo de rock que seria impensável que fosse dançável. Eles são os Battles e editaram Mirrored. Entre 2004 e 2006 esta espécie de super-grupo indie (aglomera membros de bandas como os Helmet, Tomahawk, Don Caballero e Lynx) editou três EPs que nos revelavam que aqui estava a nascer algo muito surpreendente para o panorama musical dos dias de hoje.

Tentar definir o som que os Battles fazem é quase uma tarefa impossível. Há quem os defina como prog-rock, outros como math-rock (variante do rock progressivo), por aqui sabe-se apenas que fazem do rock algo de realmente excitante e novo. (ver crítica) • JM


neurosis-giventotherising08 :: Neurosis – Given To The Rising

Quase três anos após a edição de The Eye Of Every Storm (2004), que já se distanciava do avant-garde A Sun That Never Sets (2001), os norte-americanos Neurosis editam o seu nono registo – Given To The Rising. Este álbum revela-se então um trabalho muito ao estilo do que foi o anterior (que já recuperava alguns dos mais antigos condimentos que abrilhantavam o trabalho da banda). Sem parecer deslumbrante, encontramos músicas com personalidade.

Given To The Rising é um álbum bom, é um regresso aclamado de uma banda que influenciou todo um espectro musical. No entanto, este trabalho está ainda demasiado colado a The Eye Of Every Storm, e apesar de terem sido recuperados alguns pontos fortes de Through Silver In Blood, este trabalho é um pormenor bom e agradável no universo fértil e sublime que os Neurosis construíram. (ver crítica) • SJ


kevindrew-spiritif07 :: Kevin Drew – Spirit If…

Não é de estranhar que o álbum de estreia de Kevin Drew venha com o nome da sua banda materna na capa. Os canadianos Broken Social Scene conseguem ser de tal forma volumosos – e não falo apenas do número de colaboradores nos discos e em palco – que podem dar à luz outros projectos e manter-se incorruptíveis. Este não é um álbum a solo, nem Kevin Drew tenta passá-lo como tal. Spirit If… é apenas um pouco menos de Brendan Canning, de Justin Peroff ou Andrew Whiteman e mais de Kevin Drew. E é tudo aquilo que se podia esperar: rock megalómano, com dezenas de instrumentos, sem amarras nem constrangimentos, e algumas baladas de indie rock violadas e deixadas do avesso.

Spirit If… consegue ser um trabalho pessoal, sem ser solitário. Em 14 faixas, Kevin Drew exorciza todas as pequenas ideias que, possivelmente, se diluiriam no seio democrático (talvez anárquico) dos Broken Social Scene, e consegue-o fazendo-se acompanhar de toda a banda. Este é também um disco que homenageia todos aqueles nomes que ajudaram estruturar o indie rock – falo de Sonic Youth, Pavement, Dinosaur Jr. ou Pixies. (ver crítica) • GS


feist-thereminder06 :: Feist – The Reminder

Feist arrisca-se seriamente a tornar-se o maior nome da música indie feita com contornos femininos. Este ano, a cantautora traz-nos o seu terceiro disco de originais, uma pérola de rock alternativo, alguma folk, bossa nova e pop. Depois de deixar a sua marca nos discos dos Broken Social Scene ou Kings Of Convenience, esta canadiana que já pertenceu a uma banda punk e partilhou um quarto com Peaches (qual delas a experiência mais irreverente), oferece-nos um conjunto de músicas quase sempre suaves, gentis e sedutoras. Mas o corpo de Feist jamais conseguirá permanecer num estado estático de quem canta lullabies e não faltam também as canções dançáveis, muito dançáveis.

Feist deixa-nos um certo sabor agridoce, entre o tom abatido das suas baladas e a divertida energia dos seus temas mais dançáveis. Mas sobretudo, Feist deixa-nos apaixonados pela sua música. (ver crítica) • GS


lcdsoundsystem-soundofsilver05 .:: LCD Soundsystem – Sound Of Silver

Se existem génios nos tempos que correm, James Murphy é de certeza um deles. Com a estreia homónima em 2005 os LCD Soundsystem fizeram as delícias de muitos com os típicos ritmos punk/funk da DFA, injectados de house, disco e electro um pouco por todo o lado. (…) Este ano voltam com Sound of Silver e na abertura respiramos logo a space-disco. O início faz lembrar o melhor single da banda “Losing my Edge”, mas depressa voa para outros lugares. Isto é David Bowie numa pista de dança minimal, com percussões fortes e energéticas, sintetizadores que voam pelo tempo, desde o disco-sound até aos tempos de hoje.

A música é o passado, o presente e o futuro. James Murphy sabe-o melhor que ninguém. Sound of Silver é a perfeição entre estes espaços temporais. (ver crítica) • JM


burial-untrue04 :: Burial – Untrue

Dizem que o segundo álbum é sempre o mais difícil, ainda por cima se o primeiro foi muito elogiado pela crítica e fãs. Pois bem, Burial volta a trazer a sua veia genial ao de cima com Untrue, sucessor do seu primeiro disco homónimo, do ano passado. Ao início Burial foi considerado uma das figuras do dubstep, mas se já no primeiro disco ia além dos limites deste estilo, agora segue ainda mais em frente. Isto já não pode ser só dubstep. Untrue regressa claramente ao two-step, um dos pais do dubstep, mas com um toque sombrio e bastante complexo.

Os computadores podem não ter alma, mas a música que aqui se ouve tem muito mais alma e intensidade que mil e uma bandas com instrumentos “verdadeiros”. Há quem diga que este é o Blue Lines da actualidade e tal definição não é de todo descabida. (ver crítica) • JM


dillingerescapeplan-ireworks103 :: The Dillinger Escape Plan – Ire Works

Ire Works tem tanto de devastador como de terapêutico. Com ele, os Dillinger Escape Plan recuperam da saída de dois membros da banda (Brian Benoit por lesão e Chris Pennie por opção) e das críticas de perda de integridade musical. Se Miss Machine (2004) causou ataques de urticária aos mais acérrimos apologistas do caos sonoro do mathcore, Ire Works poderá ser um bálsamo milagroso. Ou não. A banda não se esquece de como soa bem a fazer covers de Justin Timberlake ou da marca deixada pela colaboração com Mike Patton em Irony Is A Dead Scene (2002).

Este poderá ser o melhor trabalho dos Dillinger Escape Plan até ao momento. Fazendo uma síntese entre os trabalhos anteriores da banda, este é um disco cuidado, amadurecido, tecnicamente complexo e que consegue ainda explorar territórios desconhecidos. Porém, o impacto que provoca é menor que o dos seus antecessores. Os Dillinger Escape Plan já não são uma banda em ascensão, são um nome comprovado e atestado. Não se esperava que Ire Works surpreendesse. É precisamente por isso que consegue ser um excelente álbum. (ver crítica) • GS


thearcadefire-neonbible202 :: Arcade Fire – Neon Bible

Os consensos generalizados podem ser perigosos e deverão sempre provocar uma posição crítica. Os canadianos Arcade Fire são uma das últimas revelações da música norte-americana e, com apenas um disco, abalaram o sistema de nervoso de todo o universo do indie-rock e conseguiram, inclusive, ir um pouco mais além. Digressões e colaborações com os U2 e largos elogios de Chris Martin (Coldplay) são apenas alguns dos efeitos secundários provocados pela edição de Funeral, há três anos atrás.

Neon Bible poderá não ser um disco tão coeso, tão pleno de sentido como foi Funeral, mas consegue valer por si só. Um segundo disco, especialmente após a larga exposição do primeiro, é uma tarefa árdua e que comummente resulta em algo desastroso. Este não foi, seguramente, um desses casos. Os The Arcade Fire souberam provar que Funeral não foi uma acidental criação, mas um natural resultado do talento, trabalho e inspiração. Neon Bible segue-lhe os passos. (ver crítica) • GS


radiohead-inrainbows01 :: Radiohead – In Rainbows

Esqueçam os artifícios que marcaram o lançamento digital/fuga oficial do novo álbum dos Radiohead. Esqueçam o marketing, o abalo na indústria discográfica e os milhares de opiniões disseminados pela rede sobre o assunto. Desliguem os monitores, encostem os carros ou sentem-se sossegados no sofá. In Rainbows, o tardio sucessor de Hail To The Thief (2003), requer toda a atenção que possam dispensar. Ininterruptamente.

Mesmo faltando alguma ousadia nalguns dos temas, alguma força muscular, In Rainbows comprova que os Radiohead são, muito provavelmente, a banda que mais interesse suscita sempre que emerge com um novo álbum. Sem se limitarem artisticamente, conseguem a rara proeza de atingir o público geral com o mesmo impacto com que abalam os nichos mais exigentes de melómanos. Com dez (mais seis) novos temas, o quinteto de Oxford volta a intrometer-se na vida comum de cada um de nós, na vulgar das emoções e na recorrente das preocupações. É por se moverem tão habilmente pelo extenso espectro de emoções humanas que os Radiohead continuarão a preencher as memórias de um inconsciente colectivo. E é assim que se resiste à passagem do tempo, como todos os grandes músicos o conseguem, compondo canções inesquecíveis, uma após a outra. (ver crítica) • GS


Estes são tops de álbuns, concertos e canções, diferenciados por cada um dos colaboradores residentes:

:: Gonçalo Sítima

Álbuns:
1. Radiohead – In Rainbows
2. Arcade Fire – Neon Bible
3. Kevin Drew – Spirit If…
4. Feist – The Reminder
5. The Dillinger Escape Plan – Ire Works
6. Battles – Mirrored
7. Neurosis – Given To The Rising
8. Pelican – City Of Echoes
9. Queens Of The Stone Age – Era Vulgaris
10. Elliott Smith – New Moon

Concertos:
1. Arcade Fire no Festival Super Bock Super Rock, 03.07.2007 (reportagem)
2. LCD Soundsystem no Festival Super Bock Super Rock, 04.07.2007 (reportagem)
3. Red Sparowes na sala Moby Dick em Madrid, 09.05.2007 (reportagem)
4. Metallica no Festival Super Bock Super Rock, 28.06.2007 (reportagem)
5. God Is An Astronaut no Santiago Alquimista em Lisboa, 19.10.2007 (reportagem)

Canções:
1. Radiohead – “Videotape”
2. Arcade Fire – “Intervention”
3. Arctic Monkeys – “505”
4. Feist – “My Moon, My Man”
5. Iron & Wine – “White Tooth Man”

:: João Moço

Álbuns:
1. Burial – Untrue
2. LCD Soundsystem – Sound of Silver
3. Panda Bear – Person Pitch
4. M.I.A. – Kala
5. Battles – Mirrored
6. The Field – From Here We Go to Sublime
7. Jens Lekman – Night Falls Over Kortedala
8. Animal Collective – Strawberry Jam
9. Justice – †
10. Electrelane – No Shouts, No Calls

Concertos:
1. LCD Soundsystem no Festival Super Bock Super Rock, 04.07.2007 (reportagem)
2. Rufus Wainwright no Coliseu dos Recreios em Lisboa, 06.11.2007 (reportagem)
3. Beastie Boys no Festival Alive!07, 10.06.2007 (reportagem)
4. Of Montreal no Festival do Sudoeste, 05.08.2007
5. Panda Bear no B’Leza em Lisboa, 11.04.2007 (reportagem)

Canções:
1. LCD Soundsystem – “Someone Great”
2. M.I.A. – “Paper Planes”
3. Justice – “D.A.N.C.E.”
4. Panda Bear – “Bro’s”
5. Battles – “Atlas”

:: Sílvia Dias

Álbuns:
1. Radiohead – In Rainbows
2. Arcade Fire – Neon Bible
3. David Fonseca – Dreams In Colour
4. Feist – The Reminder
5. Explosions In The Sky – All Of A Sudden I Miss Everyone
6. Kevin Drew – Spirit If…
7. Au Revoir Simone – The Bird Of Music
8. Pelican – City Of Echoes
9. Elliott Smith – New Moon
10. Norberto Lobo – Mudar de Bina

Concertos:
1. Joanna Newsom na Aula Magna em Lisboa, 02.05.2007 (reportagem)
2. Arcade Fire no Festival Super Bock Super Rock, 03.07.2007 (reportagem)
3. Yann Tiersen na Aula Magna em Lisboa, 07.03.2007 (reportagem)
4. Function no Cabaret Maxime em Lisboa, 15.09.2007 (reportagem)
5. God Is An Astronaut no Santiago Alquimista em Lisboa, 19.10.2007 (reportagem)

Canções:
1. Radiohead – “Faust ARP”
2. Arcade Fire – “No Cars Go”
3. Joanna Newsom – “Cosmia”
4. David Fonseca – “Silent Void”
5. Feist – “My Moon My Man”

:: Susana Jaulino

Álbuns:
1. The Dillinger Escape Plan – Ire Works
2. Radiohead – In Rainbows
3. Neurosis – Given To The Rising
4. Wraygunn – Shangri-La
5. Interpol – Our Love To Admire
6. Grails – Burning Off Impurities
7. Ulver – Shadows Of The Sun
8. Efterklang – Parades
9. Arcade Fire – Neon Bible
10. Björk – Volta

Concertos:
1. Nine Inch Nails no Coliseu dos Recreios em Lisboa, 10.02.2007 (reportagem)
2. The Smashing Pumpkins no Festival Alive!07, 09.06.2007 (reportagem)
3. Interpol no Coliseu dos Recreios em Lisboa, 07.11.2007 (reportagem)
4. LCD Soundsystem no Festival Super Bock Super Rock, 04.07.2007 (reportagem)
5. Arcade Fire no Festival Super Bock Super Rock, 03.07.2007 (reportagem)

Canções:
1. Interpol – “Pioneer To The Falls”
2. Arcade Fire – “No Cars Go”
3. Wraygunn – “Love Letters From A Muthafucka”
4. The Dillinger Escape Plan – “Milk Lizard”
5. Radiohead – “Videotape”

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~ por hiddentrack.net em 31, Dezembro, 2007.

 
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