Ufomammut – Lucifer Songs

De Itália regressam os psych-doomers Ufomammut com o seu terceiro registo de originais Lucifer Songs. O caminho trilhado surge como uma progressão natural dos trabalhos anteriores da banda, o que é tido como um aspecto positivo, na medida em que continuam a ser habilmente explorados ambientes com uma forte carga psicadélica, conjugados com o rock arrastado de uns Neurosis ou Electric Wizard. Têm o mérito de conseguirem um saudável e criativo distanciamento da maioria das propostas stoner/sludge/doom que existem actualmente, pelo uso de sintetizadores vintage, distorção em largas quantidades e soundbytes bizarros que ajudam a criar uma atmosfera quase pink-floydiana.

Apologistas do audiovisual, disponibilizam tanto com a edição em CD, como em vinyl, um DVD (a premissa é Believe what you see – believe what you hear) com apresentações visuais abstractas, apelativas ao consumo de psicotrópicos, que acompanham cada faixa. Tanto este trabalho visual, como o artwork do álbum foram desenvolvidos, pela Malleus, uma associação artística que já tem vindo a trabalhar com a banda de forma habitual.

Logo ao carregar no play e ouvir o início de “Blind” sabemos que nos espera um registo a um ritmo lento, espacial, remetente a um mundo hedonista de composições demoníacas (ou não fossem estas as canções de Lúcifer). Os longos espaços feitos de sons electrónicos minimalistas são uma constante, seguidos de riffs gigantescos (oiça-se “Hellcore”). “Hypnotized” é um espaço em aberto, respirável, introdutório à faixa que se segue e lembra em muito o que os Old Man Gloom têm por apanágio fazer. Mas quiçá, a melhor faixa do álbum é “Mars”. As guitarras asfixiam uma voz gritante e imperceptível num desfilar de stoner rock vindo das caves do inferno. Destaques aparte, este é mais um daqueles álbuns a ser ouvido como um todo e não saltando de faixa e faixa.

Definitivamente, os Ufomammut sabem sorver boas influências. Mas, mais do que isso, sabem reinventá-las. O DVD revela-se uma estratégia apelativa e compensadora, mas é a parte “musical” o maior actrativo: há desde passagens a roçar o drone de cariz electrónico, até autênticas muralhas sónicas de guitarra e um registo vocal pouco presente, que funciona mais como um instrumento do que um veículo de mensagem. Como se ouve a dada altura no álbum, e em bom jeito conclusivo: “they had their audience hypnotized.”

8/10 | Joana Coimbra

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~ por hiddentrack.net em 14, Janeiro, 2008.

 
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