Vampire Weekend – Vampire Weekend

Já não é novidade nenhuma que bandas pop ocidentais procurem na música africana fonte de inspiração, basta lembrarmo-nos da obra dos Talking Heads. Com certeza que os Talking Heads devem fazer parte da discografia dos membros dos Vampire Weekend, avaliando pela audição do seu álbum de estreia homónimo que chega ao mercado no final deste mês.

Tal como muitas outras bandas, esta também viu o seu nome passar de boca em boca, ou mais precisamente de blog em blog, quando editaram um EP no ano passado. Agora que chega o álbum já não são perfeitos desconhecidos para os mais atentos. Os Vampire Weekend definem a sua música como “upper west side Soweto”, o que lhes assenta na perfeição, pois o que aqui ouvimos são herdeiros da new-wave nova-iorquina que tudo queriam experimentar, com ritmos vindos do Soweto, percussões tipicamente afrobeat e algumas guitarras que vão buscar a sua melodia ao soukos, estilo musical natural do Congo desde os anos 30 do século XX.

No entanto, seria fácil ir pilhar o que os Talking Heads fizeram no seu tempo, mas estes quatro rapazes souberam inspirar-se nos registos originais de afro-pop e criar uma música estimulante e jovem, sem grandes pretensões. O primeiro single, “Mansard Roof”, é uma pequena maravilha pop. O vocalista canta no seu típico estilo indie-pop, ouvem-se violinos ao fundo até que entram percussões tribais, afro-beat, que obrigam logo o corpo a dançar, enquanto os sintetizadores tentam acompanhar estes ritmos quentes, mas a meio disto à explosões quase épicas a lembrar uns Arcade Fire de Funeral.

“A-Punk” tem guitarras melodiosamente ska e um ambiente de festim new-wave que mete também flautas e teclados ao barulho. Já “Cape Cod Kwassa Kwassa” vai de encontro na perfeição com a designação “upper west side Soweto”, com as guitarras e percussões a percorrerem alegremente os terrenos áridos do Soweto, mesmo que no final saibamos que não saímos das ruas citadinas de Nova Iorque. Todavia, mais para o fim do disco, a miscigenação de músicas vai tornando-se cada vez menos presente, estando assim o ouvinte perante boas canções de travo indie-rock mas não tão surpreendentes como as primeiras.

Vampire Weekend tem canções que nos contagiam quando as referências musicais se embrulham num caldeirão a ferver, quando tal não acontece não nos sentimos muito desapontados, apenas desejávamos que todo o disco fosse o misto de influências musicais inicial.

7/10 | João Moço

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~ por hiddentrack.net em 29, Janeiro, 2008.

 
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