The Killers – Sam’s Town

killers-samstownDepois dos exageros joviais de Hot Fuss, esperava-se que os The Killers optassem por um registo mais polido no seu segundo álbum. Mas, engano dos enganos, Sam’s Town consegue ser ainda mais exagerado que o seu antecessor, mudando apenas o tom energicamente adolescente para algo bolorento, cansativo e desinteressante.

A ideia de ter uma faixa de boas-vindas (“Enterlude”) e outra de despedida (“Exitlude”) não poderia ser mais descabida, com laivos até de exibicionismo, como quem vê o seu álbum de uma forma magnânima e o apresenta como um espectáculo imperdível. E de facto vai-se assistir a um espectáculo, mais concretamente, a uma ópera-rock, foleira, como seria de esperar, e despropositadamente melodramática. E o pior é que duas das faixas que mais se identificam com este estilo, “For Reasons Unknown” e “Bones”, foram escolhidas para single. “My List” e “This River Is Wild” perpetuam dolorosamente este género, com alguns arranjos tão maus que não se pode deixar de olhar para Hot Fuss com algum saudosismo!

Sam’s Town é particularmente decepcionante porque “When You Were Young”, o primeiro single do álbum, fazia adivinhar uns The Killers mais maduros, que tinham finalmente encontrado o seu caminho. De uma emotividade honesta, a música vai crescendo até as guitarras a tomarem por absoluto. No momento certo surge a electrónica, num refúgio de intimidade, de apaziguamento, voltando-se depois à exuberância das guitarras. E estas passagens são feitas de uma forma perfeita, com uma grande naturalidade, como se estes sons devessem sempre estar juntos.

“Read My Mind” é a tábua de salvação, resgatando Sam’s Town do mundo postiço a que parecia condenado. «Can you read my mind?», é a questão que é continuamente posta, na esperança de que a resposta seja sim, de que a outra pessoa percebe a mensagem, não sendo portanto necessário verbalizá-la. O comovente riff de guitarra glorifica esta melancólica despedida, e por momentos sente-se que os The Killers são uma grande banda, ou que poderiam sê-lo, se fossem mais sensatos. “Uncle Jonny” é outro bom momento do álbum, provando que a banda consegue fazer boas músicas, sem precisar para tal de recorrer aos habituais delírios electrónicos.

É impossível ouvir Sam’s Town e não se perceber que os The Killers são de Las Vegas. Está lá tudo: a ostentação, os excessos, a artificialidade. E a grande culpada é sem dúvida a produção, muito pouco racional, acrescentando elementos absolutamente desnecessários, que só estragam as músicas. Falta a Sam’s Town bom-senso e, sobretudo, bom-gosto.

6/10 | João Oliveira

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 2, Fevereiro, 2008.

 
%d bloggers like this: