Entrevista com Pontos Negros

Mesmo sem álbum, são o mais recente fenómeno nacional com berço no portal MySpace e que está a fazer despertar uma energia criativa em torno do que se faz na pop/rock portuguesa, cantada em português. Eles chamam-se Os Pontos Negros e o hiddentrack.net esteve à conversa com o baterista David Pires e o teclista Silas Ferreira.

Primeiro que tudo fala-nos um pouco sobre quem são Os Pontos Negros, como se formaram…

David Pires: Os Pontos Negros formaram-se no Verão de 2005, e eram originalmente compostos por mim, na bateria, e pelo Jónatas Pires na guitarra. Começou por ser uma brincadeira para gravarmos uma música para uma compilação da FlorCaveira, mas pouco depois juntou-se o Filipe ao barulho e mais tarde, em 2006, convidámos o Silas para tocar teclas connosco. Á excepção do Silas, que mora nas Mercês, somos todos originários de Queluz.

Porquê o nome Pontos Negros?

Silas Ferreira: Surgiu basicamente por antítese aos White Stripes. Há uma certa tradição na FlorCaveira de arranjar nomes simples e com testosterona q.b. mas que assentam que nem uma luva naquilo a que se propõem. Tendo em conta que atrás de nós vieram O Comboio Fantasma, As Borboletas Borbulhas e As Velhas Glórias, a fasquia estava bastante alta. Não nos saímos nada mal.

São uma das novas bandas portuguesas que se insere dentro do formato pop/rock e que canta em português, como todas as outras da vossa editora e outras que têm também uma ligação à FlorCaveira. Apoiam o Sam the Kid na medida em que bandas portuguesas devem cantar em português? O que têm a dizer sobre isto?

S.F.: Não sei se o “Pequeno Samuel” tinha intenção de criticar as bandas que cantam em inglês na generalidade. Penso que ele se refere particularmente àqueles que argumentam que cantam em inglês porque cresceram a ouvir cantar na língua de Shakespeare. Desse ponto de vista, acho que até foi suave. Nós cantamos em português porque não temos receio de nos expressarmos na língua em que nos ensinaram a pensar e a sentir desde o berço e seria falso fazê-lo noutra qualquer. São todos livres para discordar, mas é o nosso credo.

Quem vos ouve pode sentir uma forte influência da pop/rock anglo-saxónica mas há uma grande importância na parte lírica. Fala-nos um pouco disto.

S.F.: A lição mais importante que aprendemos com as nossas referências, tanto as nacionais como as estrangeiras, é que uma boa canção sobrevive sempre, independentemente das tendências em voga.

E podes falar-nos um pouco da FlorCaveira, que é uma nova editora no panorama musical nacional?

D.P.: É uma espécie de editora, já que não se identifica muito com os cânones editoriais a que estamos acostumados. Eu diria que é mais um sindicato independente de artistas amigos com características próprias (são cristãos e cantam em português). Note-se que já existe desde 2000 mas só agora é que tem tido alguma exposição mediática.

Como vês a música pop/rock em Portugal, com o despertar de editoras independentes como a FlorCaveira, Amor Fúria, etc.?

S.F.: É um momento interessante, talvez o mais interessante na música portuguesa desde meados dos anos 80. Surgem novas bandas um pouco por todo o país que vão fazendo chegar a sua música às pessoas através de canais não tradicionais, como o MySpace e o Youtube. As grandes editoras tardaram em acordar para o fenómeno e algumas bandas decidiram tentar a sua sorte sozinhas ou associar-se a outras e criar editoras pequenas, algumas das quais quase não passam de imaginação dos seus criadores. Por vezes há uma base filosófica (dir-se-ia mesmo religiosa) comum às bandas, como é o caso da FlorCaveira. Os artistas perceberam que podem sair da garagem e chegar às pessoas pelo seu próprio pé e sem se comprometerem. E as grandes editoras, que cada vez são menos, precisam de bons argumentos para convencerem alguém que ainda podem fazer alguma coisa pelos artistas, especialmente num país pequeno como o nosso.

Têm disponibilizado no MySpace o vosso EP para qualquer pessoa que queira fazer o download. Não vos preocupa estes problemas da pirataria musical via internet?

D.P.: Por enquanto não. Agora queremos que as pessoas ouçam a nossa música, e a Internet será talvez o melhor método para alcançarmos toda a gente e elas virem aos nossos concertos.

Depois do EP, há projectos para um álbum? Que novidades nos podes adiantar?

S.F.: Não há novidades. Continuamos a escrever canções e tocá-las nos concertos. É o mais importante.

E ao vivo como têm corrido as vossas actuações? E que novas datas já têm na agenda?

D.P.: As actuações têm corrido muito bem, estamos satisfeitos connosco e presumo que as pessoas que nos ouvem também, mas tentaremos sempre melhorar e trazer algo de novo em cada concerto. Quanto a datas, podem sempre confirmar no nosso MySpace, mas adiantamos já: dia 8/03 em Évora, no Espaço Celeiros; dia 14/03 no Seixal, no Março Fora d’Horas; e dia 29/03 em Setúbal no Capricho Setubalense.

João Moço
fevereiro.2008

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~ por hiddentrack.net em 4, Fevereiro, 2008.

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