The Killers – Sawdust

killers-sawdustNão deixa de ser estranho que uma banda, com apenas dois álbuns editados, sinta a necessidade de fazer uma compilação de b-sides e raridades. Mas, após as reticências iniciais, Sawdust demonstra ser uma ideia relativamente bem sucedida, com os seus altos e baixos, como já é hábito nos trabalhos dos The Killers.

Sawdust traz duas novidades: “Tranquilize”, com a colaboração de Lou Reed, e “Shadowplay”, cover dos Joy Division. “Tranquilize” enquadra-se perfeitamente, em termos melódicos, no estilo de Sam’s Town, embora denotando um esforço para que a produção seja mais sóbria, cingindo-se apenas aos instrumentos. “Shadowplay”, apesar de se tratar dum cover, é a melhor coisa que os The Killers já apresentaram, dando à música dos Joy Division um cunho pessoal. À bateria crua original os The Killers acrescentaram uma batida electrónica discreta, adicionaram subtis camadas que adensam a atmosfera da música e destacaram um pequeno pormenor de guitarra. As palavras de Ian Curtis, “I did everything, everything I wanted to / I let them use you for their own ends”, recuperam toda a sua carga emocional, toda a sua intensidade. A versão dos Joy Division é sobretudo solitária, enquanto que a dos The Killers é apaixonada.

“All the Pretty Faces”, uma das músicas feitas no período Sam’s Town, merecia ter sido incluído nesse álbum, sendo manifestamente melhor do que a quase totalidade das suas músicas. Os The Killers recuperam nesta faixa a vivacidade do rock alternativo dos anos 80, um apaixonado sentido épico, ilustrado por uma guitarra rude. Já “Sweet Talk”, também do mesmo período, não poderia ser mais diferente. Suave, melancólica, é uma espécie de mistura entre as guitarras e melodias dos U2, com a electrónica sofisticada dos Depeche Mode, adornada com alguns pormenores excessivos típicos dos The Killers. Mas neste caso é mais óbvio o motivo da não inclusão da música em Sam’s Town, uma vez que tem um tom bastante diferente das outras músicas da banda, perdendo-se um pouco da sua identidade.

Mas se o início de Sawdust se revela interessante, algures a meio as coisas deixam de correr tão bem. Depois da banalidade e desinteresse de “Under the Gun” e “Show You How”, “Glamorous Indie Rock and Roll” regressa, numa versão ligeiramente mais polida, mas igualmente execrável, logo seguida da monótona e irritante “Who Let You Go?”, um fatídico b-side, incluído no não menos fatídico single “Mr. Brightside”.

Sawdust deixa no ar a ideia, após se ouvir todas as músicas feitas no período Sam’s Town, de que esse álbum poderia ter sido bem melhor caso as músicas tivessem sido distribuídas de outra forma. Fica também no ar uma questão: seria Sawdust necessário? A resposta será, muito provavelmente, não, isto apesar da boa qualidade desta compilação, mas que poderia ser ainda maior daqui a uns quantos álbuns.

7/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 5, Fevereiro, 2008.

 
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