The Polyphonic Spree – The Fragile Army

thepolyphonicspree-thefragilearmyUma vez que um dos principais objectivos da publicidade é convencer-nos do quão feliz e satisfeitos seríamos se comprássemos um determinado produto, não é de estranhar que grande parte das canções festivas e alegres que existem já tenham servido, eventualmente, como pano de fundo para a venda de automóveis, telemóveis, refrigerantes ou detergentes para a roupa. É neste contexto que entram em cena os Polyphonic Spree, uma megabanda norte-americana conduzida por Tim DeLaughter, cuja força musical é alimentada por doses volumosas de raios de sol, relva verdejante, gargalhadas e outras euforias. E claro, dezenas e dezenas de músicos convenientemente apetrechados de instrumentos.

“Light and Day / Reach for the Sun”, presente no álbum de estreia The Beginning Stages Of… (2002), foi o tema que catapultou o grupo para a ribalta comercial, tendo aparecido em filmes, séries de televisão e vários anúncios publicitários. Together We’re Heavy (2004) foi o álbum que lhe sucedeu, mas pouco impacto teve junto do público, levando mesmo a que alguns críticos considerassem os Polyphonic Spree uma banda artificialmente alegre e descartável. Condicionado ou não por este tipo de acusações, o colectivo decide despir as túnicas de grupo coral e trocá-las por uma espécie de farda militar. Em 2007 é editado The Fragile Army.

A robustez de The Fragile Army é uma das grandes diferenças em relação aos dois trabalhos anteriores dos Polyphonic Spree. As canções têm melodias mais fortes, que raramente hesitam em explodir, e a inocência pop, que ainda povoa “Younger Yesterday” e “We Crawl”, parece diluir-se num rock sinfónico frontal que marca temas como “Running Away”, “Get Up And Go”, “Mental Cabaret” ou “The Championship”. O tom consegue também ser mais grave, mais sombrio que no passado, mas raramente vemos os Polyphonic Spree cabisbaixos. “The Fragile Army” é uma canção curiosa que oscila entre a pop melancólica e a efervescência “cabaresca”, que consegue trazer ao de cima todo o potencial da numerosa formação da banda. Chega a ser irónico a força com que se ouve (e eventualmente se acompanha) o verso “It’s time for you to lose you excitement”. “Guaranteed Nightlife” segue o mesmo caminho. Não é difícil visualizar os corpos por detrás da música, dançando e batendo palmas à medida que o ritmo aumenta. Nós seguimos o mesmo caminho.

The Fragile Army é, como se poderia esperar, um álbum cheio de vitalidade. Sem soar redundante ou avassalador, como por vezes os seus antecessores o faziam, este é um disco de músicas sonantes e de melodias imponentes. São onze canções bem construídas onde Tim DeLaughter parece ter atingido o equilíbrio perfeito de todos os pesos que formam os Polyphonic Spree. Ao longo do disco ouve-se David Bowie, ouve-se Flaming Lips e, muito recorrentemente, ouve-se Arcade Fire. Ouvem-se trompas, guitarras, percussão, pianos, coros, flautas, harpas, violinos, violoncelos, assobios e tudo mais que possa restar! Ouve-se uma verdadeira “folia polifónica”, capaz de aumentar o brilho de todas as cores e a riqueza de todos os sons. Eu compro, eu compro!

8/10 | Gonçalo Sítima

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~ por hiddentrack.net em 18, Fevereiro, 2008.

 
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