Spoon ao vivo na Aula Magna

Com Ga Ga Ga Ga Ga na bagagem, os Spoon conquistaram em peso o público que compôs a sala da Aula Magna. Foram a prova de que não é preciso muito paleio para fazer um grande concerto, pois as canções valem por si.

:: 23 de Fevereiro de 2008

 

Passavam poucos minutos das dez da noite quando este grupo oriundo do Texas pisou de novo palcos lusos, desta vez com “My Little Japanese Cigarrette Case”, logo seguida, sem intervalos, de “Don’t You Evah” e “Rhythm & Soul”, todas do último registo. Aliás, esta foi uma das características que marcaram o concerto, pois era frequente as músicas seguirem-se umas às outras, praticamente sem paragens. Mas tal não fez deste um concerto em modo piloto automático, porque o que realmente interessava era a entrega da banda, principalmente do vocalista Britt Daniel (cuja voz se primou por uma rouquidão algo elegante) às suas canções e a forma como cada uma se destacava por si própria.

Ao vivo as guitarras assumem um papel ainda mais importante do que em disco. Notou-se, nalguns momentos, uma perda da cadência soul dos teclados que é característica das canções do grupo, para reforçar o peso das guitarras. Não foram poucas as vezes em que Britt Daniel arrancava com prazer sonoridades perto do experimental da sua guitarra, o que proporcionou momentos de surpresa ao vivo que só vieram dar pontos à prestação dos Spoon.

Todavia, um dos momentos altos do espectáculo foi sem dúvida “The Ghost of You Lingers”, onde os teclados em constante suspense hipnotizaram o espectador e à medida que ia evoluindo, a canção adquiriu uma força ainda mais aterradora, o que não deixou ninguém indiferente. Claramente Ga Ga Ga Ga Ga é o disco que o público português melhor conhece da banda, apesar de já ser o seu sexto registo de originais, como provou a boa receptividade a temas como “The Underdog”, que ao vivo não tiveram sopros mas os teclados substituíram em muito boa forma.

No entanto, não só de canções do último disco se fez o concerto dos Spoon na Aula Magna. É impossível esquecer momentos como “I Turn My Camera On”, que se em disco o groove do baixo já é envolvente, ao vivo é ainda muito mais, tornando-se quase impossível não dançar ao seu som (apenas o peso que as cadeiras na Aula Magna exercem envergonhou de alguma forma o público).

O encore começou ao som da excelente “You Got Yr. Cherry Bomb”, delícia pop indie irresistível à qual o público reagiu efusivamente. Seguiu-se-lhe “Me And the Bean”, já do disco Girls Can Tell (2001) e que foi dedicado pelo vocalista da banda à sua avó, e para o final, “My Mathematical Mind”, que mais uma vez revelou uma entrega a cem por cento da banda à sua música e ao público que os vê, retribuindo-lhe este com uma ovação de pé no final.

Na primeira parte esteve Mazgani, qual pregador romântico, mas que ao fim de poucos minutos torna o seu discurso enfadonho, sem deixar marcas em quem vê a sua prestação.

texto: João Moço
fotos: Vasco Pereira

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~ por hiddentrack.net em 24, Fevereiro, 2008.

 
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