Goldfrapp – Seventh Tree

Seventh Tree marca o regresso dos Goldfrapp ao bucolismo das atmosferas campestres, após uma longa passagem pela glamorosa urbe. É inevitável recordar Felt Mountain, com todo o seu dramatismo e sublimidade, dimensões de que Seventh Tree, por opção ou por incapacidade, se distancia, respirando-se antes um ar fresco, melancólico e calmo, num ambiente luminoso e cheio de vida.

“Clowns”revela uma inocência ingénua, sensível, como se de uma música de embalar se tratasse. A voz de Alison Goldfrapp, mais do que palavras, emite sons relaxantes, quase metafísicos, ligados à terra pelo doce dedilhar da guitarra. Menos orgânica, “Little Bird”, etérea, flutua. E toda a primeira parte da música paira sobre o chão, recusando-se a pisá-lo. Mas a entrada da bateria, num final apoteótico, torna-a épica, acordando-a da dormência em que se encontrava submersa.

O tom celestial volta a surgir em “Cologne Cerrone Houdini” que, após um início parado e desinteressante, ganha uma carga dramática na bridge que já não a abandona. A electrónica é deixada para segundo plano, surgindo como enfeite, em pequenos pormenores, destacando-se mais a guitarra, a bateria e os violinos. O mesmo acontece em “Eat Yourself”, a faixa mais intensa, adulta e sóbria do álbum, usando elementos electrónicos cirurgicamente, para sublinhar certos momentos. No ar ficam sentimentos de mágoa, uma saudade insaciável, um conformismo sem alternativa.

“Happiness” e “Caravan Girl” têm algo em comum: não estão entre as melhores faixas do álbum, mas são irresistíveis. “Happiness” pela sua sensualidade jocosa, com cheiro a cabaret. “Caravan Girl” pela energia contagiante de quem regressa à urbe, recordando com nostalgia os bons momentos vividos no campo. Estas músicas acabam por isso por ser um bom retrato de Seventh Tree. Não sendo o melhor álbum dos Goldfrapp, é discretamente sedutor, de um conforto convidativo, apetecendo relaxar, espreguiçar e contemplar a natureza. Contemplar apenas pelo prazer de ver o que é belo, sem ambições, sem emoções fortes. E é assim que “Monster Love” encerra o álbum, num ritmo demorado, numa existência vaporosa e discreta.

8/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 27, Fevereiro, 2008.

 
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