Morcheeba – Dive Deep

Sobreviver à mudança de vocalista é uma tarefa árdua e, na maioria das vezes, destinada ao fracasso. Mas este pormenor parece não ter sido tido em conta pelos irmãos Godfrey quando decidiram que Skye Edwards não deveria continuar a ser a voz dos Morcheeba, pondo fim a uma longa parceria. E depois de a tentarem substituir por outra vocalista, a mal recebida Daisy Martey, decidiram que Dive Deep iria contar com múltiplas colaborações, quem sabe procurando ver qual a receptividade do público às vozes apresentadas, para num futuro álbum poderem contar apenas com um vocalista.

A veterana Judy Tzuke, o nórdico Thomas Dybdahl, Bradley Burgess, o rapper Cool Calm Pete e a novata Manda são as vozes de Dive Deep. É clara uma aposta na diversidade, o que vem compensar a sonoridade homogénea do álbum, muito centrada em ambientes marítimos, quase sempre acompanhados de viola, com os arranjos electrónicos remetida para os detalhes. Do trip hop que caracterizava os Morcheeba nos seus primeiros anos restam apenas alguns laivos, sobretudo em “Thumbnails” e “Emphasis”.

“Blue Chair” é o grande argumento de Dive Deep, misturando elementos hip hop e trip hop com uma intensa prestação de Judy Tzuke. Foge-se assim à perspectiva contemplativa do álbum e, os coros etéreos, revelam os cânticos sedutores das sereias, convidando os marinheiros a mergulharem no gélido oceano. Apenas “Washed Away”, desta vez com a voz de Thomas Dybdahl, consegue aproximar-se em termos de intensidade, num tom igualmente calmo, mas mais reconfortante.

Manda, uma jovem francesa que recorreu ao MySpace para fazer a banda saber do seu interesse em cantar com eles, ficou com as músicas menos interessantes. “Gained the World” é enjoativa, excessivamente doce, chata, monótona, enfim, de uma gritante falta de imaginação, o mesmo se aplicando a “Au Dela”, num registo canção de embalar. “Flowers” é a mais ousada do conjunto, mas foge um pouco à lógica do álbum e, num estilo muito r’n’b, põe em causa e identidade musical dos Morcheeba.

Dive Deep é um título quase perfeito para o álbum, pois trata-se de facto de um mergulho, embora se possa questionar se é assim tão profundo como os Morcheeba querem fazer crer, faltando-lhe soluções de produção mais originais e a capacidade de criar ambientes mais densos. Mas esses pormenores não fazem com que Dive Deep deixe de ser um álbum agradável, muito mais adequado para as relaxantes praias de Verão, do que para os frios dias de Inverno.

7/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 5, Março, 2008.

 
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