Entrevista com Rita Redshoes

A poucas horas da apresentação de Golden Era, Rita Pereira contou-nos mais sobre si e sobre Redshoes. Dos sonhos às primeiras experiências musicais, passando por “Hold Still” e a materialização da carreira a solo, ficámos a conhecer melhor a voz por detrás de “Dream On Girl”.

Começando pelas apresentações, quem é a Rita Redshoes e o que a distingue da Rita Pereira?

Rita Pereira: A Rita Redshoes pode e deve fazer coisas que a Rita Pereira não quer. Basicamente pode usar o cabelo muito despenteado e fazer barulho e dizer coisas sem nexo nas letras e cantá-las. A Rita Pereira faz algum sentido no quotidiano. Quem é, é uma questão mais difícil, talvez daqui a uns tempos já me seja mais claro.

Quais foram os teus primeiros passos musicais?

R.P.: Comecei por ser baterista num grupo de teatro do liceu. Mais tarde entrei como vocalista para a banda formada pelo meu irmão que veio a transformar-se nos Atomic Bees. A par dos Atomic Bees fui compondo as minhas canções ao piano, instrumento que entretanto tinha começado a estudar no curso de música que tirei. Desde aí a minha cabeça pensa quase 24 horas em música.

Chegada aos Atomic Bees, como foram os anos deste projecto, com o qual ainda chegaste a gravar um álbum? Porque é que chegou ao fim?

R.P.: Os Atomic Bees foram uma grande escola e uma grande experiência para mim. Era uma banda formada pelo meu irmão e amigos de longa data e por isso mesmo o espírito era intimista, o que acabava por se notar nas músicas e na maneira como gerimos o projecto. Foi onde percebi que queria fazer música e onde comecei a conhecer as minhas capacidades musicais. O facto dos Atomic Bees terem chegado ao fim, prende-se com a questão que referi acima. Por sermos uma banda de amigos, houve uma altura em que percebemos que o caminho que as coisas estavam a levar não ia de encontro ao que nos tinha feito começar a banda e por isso mesmo percebemos que seria o fim.

Por onde andaste, musicalmente falando, desde o fim dos Atomic Bees até integrares a banda que acompanha o David Fonseca? Como foi que a oportunidade surgiu?

R.P.: Andei a gravar maquetas em casa, a experimentar a minha voz, a criar o meu universo musical. Foram anos muito produtivos nesse sentido e de grande descoberta. Vejo-o como a travessia no deserto mas com a certeza de encontrar o tal oásis. Passado algum tempo o David telefonou-me a fazer o convite e eu aceitei. O David tinha ouvido o disco dos Atomic e tinha gostado e lembrou-se de mim quando pensou em pôr o disco na estrada.

“Hold Still” foi um grande sucesso e fez “disparar” o carinho dos fãs do David Fonseca por ti, tornando-se também teus fãs. O momento em que gravaste este tema foi decisivo para te decidires por uma carreira a solo ou isso já era um sonho antigo?

R.P.: A questão da carreira a solo já existia na minha cabeça há muito tempo, só não sabia exactamente quando isso iria ser possível. Para mim ter gravado o “Hold Still” foi importante não tanto nesse sentido mas nalguma auto-confiança e no reaparecer e regravar passado o tempo todo desde os Atomic Bees.

Como vês todo o entusiasmo que se gerou em teu redor, ainda sem álbum editado?

R.P.: Vivi uma coisa semelhante nos Atomic Bees, sem disco aparecíamos na imprensa e tínhamos uma expectativa constante à nossa volta. Confesso que aprendi que isso nem sempre é bom, ou seja, tem um lado muito positivo pelo o facto de haver uma resposta ao nosso trabalho mas por vezes a expectativa limita um pouco a maneira como se vê algumas coisas. Desta vez, tentei passar ao lado disso. Ia acompanhando através dos meus amigos o que se ia dizendo sem querer entrar muito nesse lado.

“Dream On Girl” foi nomeada Canção do Ano pela Radar. Como foi que recebeste a notícia e quão importante foi esta nomeação para lançar definitivamente o teu trabalho no palco do mundo musical que a Radar representa?

R.P.: Recebi a notícia com muito espanto confesso. Nem sequer me tinha passado isso pela cabeça, portanto foi mesmo uma surpresa. Na altura o disco já estava a ser gravado, ou seja, a minha decisão já tinha sido tomada quanto ao lançamento do disco para 2008 mas obviamente que uma notícia destas dá alento.

Depois de abrires os concertos do David Fonseca, qual é o sentimento que prevalece quando se aproxima a passos largos a apresentação de Golden Era, no MusicBox?

R.P.: Algum nervosismo e ansiedade mas muita vontade de mostrar às pessoas o que andámos nós a fazer no laboratório (estúdio).

Agora a pergunta incontornável: quais são os nomes que mais te influenciaram e influenciam musicalmente?

R.P.: Definitivamente a senhora PJ Harvey influenciou-me porque desde a 1ª vez que a ouvi fiquei completamente rendida à voz e à interpretação. Acho que pensei que um dia queria cantar como ela. Há muitas personalidades musicais que me influenciam mas mais do que música as minhas influências acabam por vir de filmes, fotografia e da vida em geral, daquilo que absorvo. Vejo a minha música muito por imagens.


Sílvia Dias

março.2008

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~ por hiddentrack.net em 9, Março, 2008.

Uma resposta to “Entrevista com Rita Redshoes”

  1. tens uma voz espetecular, admirável, fazes sonhar qualquer ser humano. Obrigado por teres uma voz fantástica. Gostei muito da entrevista. Adoro-te.Rui

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