The Shins – Oh, Inverted World

theshins-ohinvertedworldPrimeiro vieram os Flake Music, projecto encabeçado por James Russell Mercer. Depois vieram os The Shins, como projecto paralelo. De seguida os papéis invertem-se: o projecto paralelo avança e o principal cai. Nascidos em 1997 em Albuquerque, Novo México, os The Shins começaram por lançar dois singles 7’’ – Nature Bears A Vacuum (1998) e When I Goose-Step (2000) – e a partir daí foi um ápice até ao estrelato da indie pop. Depois do lançamento do segundo single partem em digressão com os Modest Mouse, durante a qual conhecem um representante da Sub Pop que lhes propõe o lançamento do álbum de estreia. Em 2001 surge nos escaparates de todas as boas lojas de música Oh, Inverted World.

Se mergulharmos em memórias encontramos as músicas que compõem a banda sonora de vários momentos passados, bons e menos bons. Nos filmes, esta capacidade musical é explorada exponencialmente e em filmes sobre vidas simples, sobre histórias quotidianas, a música pode penetrar profundamente em nós, abandonando a vida da tela e ilustrando as nossas próprias histórias. Zach Braff é conhecido, também, por se fazer acompanhar por bandas sonoras repletas de preciosidades da música indie, por vezes ainda desconhecidas do “grande” público. Garden State é exemplo disso – trouxe-nos os Shins, exibindo-os provocatoriamente e obrigando-nos a ir procurar por eles.

Oh, Inverted World reveste-se de uma pop fresca, com laivos retro, de fácil audição, contornada por vozes bem-dispostas e descontraídas. É fácil de ouvir, mesmo que não seja completamente fácil de gostar.

“Caring Is Creepy” surge com honras de abertura, em assobios descomprometidos. Se todo o álbum seguisse a linha deste tema, então seria quase perfeito – “This is way beyond my remote concern of being condescending”. Mas não segue, apenas repetindo a dose em “New Slang”, também presente na banda-sonora do Garden State. E a certo ponto surge “Weird Divide”, um slow demasiado insípido que nos faz desconfiar do que Oh, Inverted World ainda nos possa reservar.

O bom percurso retoma-se de seguida em “Know Your Onion”, que nos faz lembrar ao de leve Belle & Sebastian, no seu The Life Pursuit (2006). Existem momentos diversos dentro da estreia dos Shins, mas o mais surpreendente surge em “Your Algebra”, por ser tão inesperado, quanto curto. Depois de uma mão cheia de melodias leves, mais ou menos alegres, surge-nos um tema soturno, que fecha com risos de crianças e passa como se fosse um sopro. No final, a fechar o álbum, um tema perfeitamente distante de “Caring Is Creepy”. “The Past And Pending” é calmo e calmante. Polvilhado por dedilhares suaves de guitarra e toques de rendição. Ganha força à medida que avança e tem, no seu conjunto, o poder de fechar o álbum de forma brilhante e muito, muito próxima da quase perfeição que o abriu.

Entretanto “sediados” em Portland, Oregon, os Shins lançaram com Oh, Inverted World a pedra basilar para uma escalada sólida dentro do seu universo musical.

8/10 | Sílvia Dias

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~ por hiddentrack.net em 28, Março, 2008.

 
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