Linda Martini ao vivo na Galeria ZdB

Não são novos nestas andanças e já estão habituados a salas esgotadíssimas. Este fim-de-semana foi a vez de Lisboa receber a apresentação do Marsupial, numa ZdB apinhada para assistir a mais um concerto dos Linda Martini, que provaram não deixar créditos por mãos alheias.

:: 29 de Março de 2008

 

Ao contrário do que é, infelizmente, normal, ainda faltava bastante para a hora marcada e já uma multidão aguardava à entrada da Galeria Zé dos Bois para assistir à apresentação lisboeta de Marsupial, numa sala que se sabia, há dias, estar esgotada. Mas foi só depois das 23 horas que os Linda Martini encheram o palco, enquanto o público se acotovelava e apertava, ansioso pelas novidades.

Foi a “Raposo Manhoso” que coube a responsabilidade de abrir a noite. Tema longo, de altos e baixos que impedem qualquer suspeita de monotonia, um tema forte que terminou com gritos a plenos pulmões por todos os elementos da banda e ainda Carlos BB (Riding Pânico e Men Eater), que correu para gritar em conjunto com André Henriques: “Guarda tudo, deita fora! Daqui não vais embora!”

Mais nos haveria de ser dado de Marsupial, espalhado pela noite, entremeado com outros sons, de outros registos. De fora ficaram apenas dois temas, que vamos considerar interlúdios, pelo curto espaço que ocupam dentro do EP. “A Corda Do Elefante Sem Corda” foi recebido com entusiasmo e devidamente acompanhado, tal era a familiaridade que o público tinha já com o novo trabalho, mas o mais desejado de Marsupial pareceu ser “As Putas Dançam Slows”. Pelo meio descobrimos ainda “Sabotagem”, dedicado aos Beastie Boys e com Pedro Geraldes a encerrá-lo ao trompete. Os Linda Martini ainda se esforçaram para abrir a música com o público a fazer o coro, mas este, por muito boa vontade que tivesse, estava já demasiado acelerado para lhe seguir o ritmo.

Para este concerto os Linda Martini apostaram, claramente, em temas mais “pesados” e energéticos. Numa sala pequena, onde o calor e o suor aumentavam a cada avançar no tempo, o mosh foi mais do que muito e a proximidade do tecto não assustou os muitos que se aventuraram no crowd surfing. Com uma entrega espantosa, o colectivo presenteou-nos com as “velhinhas” e poderosíssimas “Este Mar” e “Lição De Voo Nº.1”, do primeiro EP (2005), passando também pelas peças chave do Olhos de Mongol (2006): “Cronófago”, “Dá-me A Tua Melhor Faca”, “O Amor É Não Haver Polícia!” e “A Severa (Ver De Perto) ”. De fora não podia ficar a incontornável “Amor Combate”, a fechar a noite com chave de ouro e com elementos do público caídos pelo palco. Para além dos seus temas, tão bem conhecidos, os Linda Martini apresentaram ainda um cover do “Adeus, Tristeza” de Fernando Tordo, acompanhados por um público extasiado e conhecedor profundo de todos os passos que a banda tem vindo a dar.

Não há num concerto de Linda Martini a distância que normalmente separa o público dos músicos. Talvez já tenha existido, mas o que se viu na ZdB assemelhou-se a um concerto íntimo, onde não faltaram palavras dirigidas ao público, entre agradecimentos, desabafos e piadas.

Três anos depois do lançamento do EP homónimo, os Linda Martini estão mais crescidos, a música é mais madura, mais complexa. Estão mais seguros também e isso nota-se perfeitamente em palco, neste que foi dos melhores concertos deles que por aqui já assistimos. São um nome consolidado no rock nacional e provam que também por cá existe música da mais alta qualidade, basta estar atento.

 

texto: Sílvia Dias
fotos: Gonçalo Sítima

Anúncios

~ por hiddentrack.net em 30, Março, 2008.

 
%d bloggers like this: