The Kills – Midnight Boom

thekills-midnightboomOs The Kills são rebeldes sem causa. Recusam o primado da razão, vivem num mundo onde impera a espontaneidade das emoções. A sua música transpira garra e um desejo de trespassar barreiras, de questionar rótulos ou qualquer tipo de imposições. Alison Mosshart e Jamie Hince, a americana e o inglês que formam o grupo, provam com Midnight Boom que a irreverência não se mede pela quão barulhenta a música é.

“Cheap and Cheerful” é sedutora, mas não de uma forma discreta e elegante. O convite à loucura é declarado: ”I want you to be crazy ‘coz you’re borin’ baby when you’re straight / I want you to be crazy ‘coz you’re stupid baby when you’re sane”. Aparentemente simplista, revela a sua magia nos pormenores, nas pequenas alterações que transformam a música por completo. Em “Tape Song” vive-se a mesma euforia, o mesmo desejo de perder as estribeiras, mas num tom mais intenso.

Midnight Boom evidencia também um lado mais sério e intimista. “Last Day of Magic” é uma declaração de amor, singela, mas ao mesmo tempo épica. As vozes de Alison e Jamie são sobrepostas duma forma absolutamente harmoniosa, como se fossem uma só. Mas a paixão dá lugar à dor e “Black Balloon” expõe o quão doloroso é dizer adeus a alguém que se ama, o perceber que o sentimento não é suficiente e que a relação está condenada ao fracasso. Não deixa de ser interessante que numa música tão emotiva se tenha incluído um sample de palmas. E é precisamente nestes detalhes, nestas combinações audazes, que reside a originalidade dos The Kills.

Os pontos fracos de Midnight Boom são duas músicas que pecam por serem melodicamente simplistas, para além de a produção não estar, em termos qualitativos, à altura do resto do álbum. Refiro-me a “Getting Down” e, sobretudo, a “M.E.X.I.C.O.C.U.”, que consegue ser ligeiramente irritante.

Depois de um turbilhão de emoções, Midnight Boom despede-se com a serenidade de “Goodnight Bad Morning”. A guitarra, outrora agressiva e energética, torna-se calma e acolhedora, conservando as memórias dos bons momentos vividos numa noite cujo fim se aproxima. E o piano, suave e pausado, traz consigo a despedida: ”Goodnight another bad morning”.

8/10 | João Oliveira

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~ por hiddentrack.net em 1, Abril, 2008.

 
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